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Internacional

Michele Bachmann

A vacina da discórdia

por Redação Carta Capital — publicado 15/09/2011 14h56, última modificação 15/09/2011 21h21
Pré-candidata republicana à presidência afirma que medicamento causa retardo mental, mesmo sem evidências científicas

A pré-candidata republicana à presidência dos EUA, Michele Bachmann, cometeu mais uma gafe para o seu (já grande) acervo pessoal. Após dizer que o furacão Irene, responsável pela morte de mais de 40 pessoas no país, era um recado divino para que "os políticos americanos prestassem mais atenção no problema da dívida pública", a deputada apontou a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) como uma "droga perigosa" capaz de causar “retardo mental”.

A afirmação, feita no debate com os pré-candidatos à Casa Branca na segunda-feira 12, foi seguida por uma acusação ao governador do Texas, Rick Perry, tido como um dos favoritos a ser o representante do partido na disputa de 2012.  Bachmann acusou o concorrente de ter tornado a vacinação contra o HPV, que pode causar diversos tipos de câncer cervical, obrigatória em seu estado em troca de uma doação para sua campanha.

A comunidade médica americana reagiu fortemente às declarações da deputada, temendo que pudessem prejudicar o programa de vacinação do país, já com baixos índices de imunização. Dados do Centro de Controle de Doenças mostram que cerca de 49% das jovens entre 13 e 17 anos receberam uma dose da vacina em 2010, sendo que apenas 36% completaram os três ciclos recomendados. A vacina previne cerca de 70% dos casos de câncer cervical.

O Instituto de Medicina, que aconselha o governo americano, já havia afirmado no último mês que a vacina era segura e não havia nenhuma evidência científica sugerindo o contrário.

Após a repercussão negativa, Bachmann tentou abaixar o tom e piorou a situação. Ela declarou a um programa da rede de televisão NBC não fazer idéia sobre a veracidade da informação e que só estava reproduzindo algo dito por uma mulher no debate. “Uma mãe me afirmou que sua filha tomou a vacina e passou a sofrer de retardo mental desde então”.

Porém, a estratégia da candidata pode também ser dirigida aos conservadores religiosos da direita, que não apóiam a vacina por acreditarem que esta provocaria a promiscuidade sexual.

A Academia Americana de Pediatras, os centros de Controle de Doenças e Prevenção e a Academia Americana de Clínicos de Família recomendam que as injeções sejam aplicadas entre 11 e 12 anos de idade, antes da iniciação sexual.

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