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A Islândia prepara nova constituição. Via Facebook

Redes sociais são amplamente utilizadas para discussão popular sobre o tema; para especialista brasileiro, tamanho diminuto do país facilita. Por Paula Thomaz
por Paula Thomaz — publicado 07/07/2011 19:06, última modificação 17/07/2011 11:17
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A Islândia prepara nova constituição. Via Facebook

O Facebook entra no mercado com alto valor. Mas corre o risco de não corresponder às expectativas. Foto:Istockphoto

Três anos depois de passar por uma crise financeira que derrubou o primeiro-ministro Geir Haarde, quebrou vários dos bancos nacionais e causou uma queda drástica do valor da moeda local, a Islândia aos poucos tenta se reerguer. E o passo mais incisivo para a volta por cima tem sido a discussão para a criação de uma nova Constituição que dê novos ares à base legal do estado islandês. E com uma grande novidade: esta nova constituição está sendo discutida via as redes sociais da internet.

Com 320 mil habitantes, o equivalente a cidade brasileira de Vitória (ES), e com dois terços dessa população conectada, a discussão para a nova discussão islandesa se dá através de vídeos do Youtube em tempo real, que mostram os debates do Conselho; fotos no Flickr; pequenas frases no Twitter; no site oficial dos temas (em islandês e em inglês); e no Facebook é que as ideias estão abertas para discussão. Em entrevista à Associated Press, o porta-voz do projeto de revisão constitucional Bernhard Berhildur Morris, disse que é possível registrar a participação da população por todas as redes sociais, “mas principalmente pelo Facebook”.

Os trabalhos para a criação da nova constituição começaram a partir de um Fórum Nacional em que 950 islandeses passaram a discutir as leis básicas. Daí, gerou-se um relatório com mais de 700 páginas que está sendo analisado pelo Conselho Constitucional Islandês, composto por 25 pessoas, que recorreram às redes sociais para divulgação e recebimento de sugestões do público.

Para Henrique Antoun, especialista em comunicação e transformação política da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ), “mesmo as pessoas que não estejam diretamente conectadas, pode se fazer representar na medida de seu interesse”. E que o fato de a Islândia ser um país pequeno facilita tudo. "Seria mais complicado um país com as dimensões do nosso uma discussão dessa. É muito mais discutido do que um projeto que fica à mercê de reapresentantes, deputados, vereadores e senadores. Agora a internet tornou, não obsoleta, mas secundária, essa necessidade de representação. Porque você pode se representar através do sistema. E é um sistema que não maquia a participação. Todo mundo que está ali, se sente representado. Todo mundo tem voz”, diz.

Em vias de ser finalizada a participação dos islandeses nas redes, no fim deste mês deve-se ter um documento final que deve ser submetido a um referendo.

Fica o exemplo da Islândia para países pequenos ou não. “É só uma questão de equacionar o grau de participação e o grau de interesse da transformação [que se quer]. Eu acho que a tendência é se radicalizar cada vez mais, porque cada vez mais as pessoas percebem que seus interesses desaparecem na hora dos políticos representá-los. Há um problema sério com a representatividade. É a tal da crise da representatividade, que passa por essa visão limitada de que só a mediação pode realmente representar interesses gerais”, afirma Antoun.

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