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A disputa pelo petróleo já começou

por Redação Carta Capital — publicado 24/08/2011 09h55, última modificação 24/08/2011 20h29
Ações de petrolíferas europeias sobem com chance do fim de conflito. Novo governo deve priorizar quem apoiou rebeldes
Antes de a guerra terminar, a disputa pelo petróleo já começou

Ações de empresas petrolíferas europeias sobrem com a possibilidade do fim dos conflitos na Líbia. Novo governo deve priorizar países que apoiaram bombardeios da Otan. Foto: Divulgação Eni

A tomada de Trípoli mostra que a queda de Muammar Kaddafi tornou-se algo inevitável. O fim do conflito de seis meses é esperado com ansiedade pelo mercado de petróleo nos Estados Unidos e, principalmente, na Europa. O preço do petróleo cru caiu dois dólares diante da expectativa de uma conclusão rápida da guerra civil e a consequente retomada da produção. Uma Líbia pacificada também refletiria, indiretamente, na queda do preço da gasolina na costa Leste dos Estados Unidos, diz Clifford Krauss, em artigo no The New York Times.

Apesar de representar apenas 2% do consumo global do combustível fóssil, a Líbia é uma produtora de petróleo longe de ser desprezada. Antes do início das revoltas, o país produzia cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia e suas reservas estimadas são suficientes para manter o mesmo ritmo pelos próximos 80 anos. Para as empresas petrolíferas norte-americanas, diante da necessidade de diversificar seus fornecedores de combustível cru, a Líbia pós Kaddafi se apresenta como uma promissora alternativa. Nos meses anteriores ao início da luta, os EUA importavam 1% de petróleo do país árabe.

Em relação aos países europeus, o peso do maior produtor petrolífero da África é consideravelmente superior. A Itália trazia 20% do seu petróleo da Líbia e países como a França, Suíça, Irlanda e Áustria, 15%. Krauss lembra que a importância da nação norte-africana para a França revela-se no convite feito na segunda-feira (22) pelo presidente Nicolas Sarkozy para que o chefe do Conselho de Transição Líbio, Mustafa Abdel-Jalil, fosse à França para consultas. Coincidência ou não, dois destes países estiveram na ponta de lança no apoio da Otan aos rebeldes para depor o ditador. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, também se reunirá com a liderança do Conselho Nacional de Transição.

A queda de Muammar Kaddafi também mostra que uma das maiores perdedoras com o a deflagração de uma guerra civil, a empresa petrolífera italiana Eni, já se articula para se apresentar como uma das maiores vencedoras com a troca de poder. As ações da Eni subiram 7% após o anúncio, feito pelo presidente da companhia Giuseppe Recchi, de que o fluxo de petróleo entre os dois países poderia ser retomado nos próximos meses. A empresa era a multinacional com maior presença na Líbia e, ao que parece, se esforça para manter a liderança com a estabilização da situação. O ministro italiano de Assuntos Exteriores, Franco Frattini, chegou a anunciar que uma equipe da Eni já estava na Líbia para avaliar a situação da infraestrutura de exportação após seis meses de combate. “As instalações foram feitas por italianos. Então está claro que a Eni terá o papel número um no futuro”, disse. A companhia italiana negou ter enviado uma equipe ao país. A Eni também explora gás no país.

As ações da empresa de petróleo austríaca OMV e da francesa Total também tiveram alta entre 3% e 5%. Há diferentes versões sobre quanto tempo seria necessário para a total retomada da extração de petróleo do país. Durante a guerra, o país produziu apenas 60 mil barris por dia, o suficiente para suprir 20% das necessidades internas da Líbia. À Reuters, uma autoridade líbia responsável pelo setor de petróleo que desertou do regime de Kaddafi em maio disse que serão precisos ao menos 18 meses para chegar aos níveis anteriores ao conflito.

A companhia de petróleo dos rebeldes, Agoco, deu sinais de que dificultará a atuação de empresas chinesas, russas e brasileiras na extração do combustível. Isso porque os três países formaram o principal bloco de oposição à intervenção militar no país, defendida pela Europa e pelos EUA. O Brasil tinha presença na Líbia por meio da Petrobrás e da construtora Odebrecht.

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