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Revolta na Ucrânia deixa 25 mortos

por Redação — publicado 19/02/2014 10h04
Um repórter do jornal Vesti morreu ao ser atingido por tiros perto do cenário dos confrontos
Sergei Supinsky / AFP
Kiev

Manifestantes e polícia se enfrentam na praça da Independência, em Kiev, em 18 de fevereiro de 2014

Com informações da AFP e da Agência Brasil

As manifestações contra o presidente da Ucrânia Viktor Yanukovytch deixaram pelo menos 25 mortos desde novembro, segundo o balanço mais recente do ministério da Saúde, no centro de Kiev, ocupado pela oposição.

Desde a explosão da violência na terça-feira 18, já são 241 feridos hospitalizados, incluindo 79 policiais e cinco jornalistas. Um repórter do jornal Vesti morreu ao ser atingido por tiros perto do cenário dos confrontos, anunciou a publicação.

A violência atingiu outras regiões da ex-república soviética. Em Leopolis (oeste), os manifestantes assumiram o controle de prédios públicos e de depósitos de armas.

O governo dos Estados Unidos e a União Europeia (UE) pediram a Yanukovytch a retomada do diálogo com a oposição, enquanto a Rússia acusou os ocidentais. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou nessa terça-feira 19 ao presidente Yanukóvich para pedir a retirada das forças governamentais das ruas e a máxima contenção em uma resposta aos protestos.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, alertou para a possibilidade de sanções da UE contra autoridades ucranianas. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk considerou que a Ucrânia está ameaçada por uma "guerra civil", com consequências para a segurança e a estabilidade de toda a região. Ele também disse que pedirá à UE que adote sanções contra Kiev.

O ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, afirmou que o presidente ucraniano Viktor Yanukovytch é responsável pelas mortes. "Devemos ser claros: a responsabilidade final das mortes e da violência recai no presidente Yanukovytch. Tem sangue nas mãos", escreveu no Twitter.

As manifestações acontecem desde novembro, quando o governo decidiu repentinamente suspender as negociações de associação com a UE e estreitar as relações econômicas com a Rússia.

Em um discurso à nação exibido durante a madrugada após um encontro infrutífero com líderes da oposição, o presidente do país acusou os manifestantes de terem ultrapassado os limites com a defesa de uma "luta armada" para assumir o poder com uma insurreição. "Estes supostos políticos tentaram tomar o poder infringindo a Constituição por meio da violência e dos assassinatos", disse o presidente, que prometeu que os responsáveis deverão "responder à justiça".

Os confrontos começaram na terça-feira nas imediações do Parlamento. Durante a noite, as forças de segurança iniciaram uma ofensiva com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra Maidan, a Praça da Independência de Kiev, epicentro dos protestos.

Na manhã desta quarta-feira 19, milhares de manifestantes permaneciam no local, diante das barreiras policiais.

Sacerdotes, artistas e políticos se sucederam durante a noite em um palanque montado na praça, o hino nacional foi tocado várias vezes.

Os policiais assumiram posição ao redor do monumento no centro da esplanada às 4h, após o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. As barracas próximas do monumento pegaram fogo. Como proteção, os opositores utilizaram o fogo. Um veículo blindado foi incendiado.

O governo impôs na terça-feira o estado de emergência de fato: o metrô de Kiev foi fechado e as autoridades anunciaram um "limite" do tráfego em direção à capital a partir da meia-noite, para evitar "uma escalada da violência".

"Ficaremos aqui"
"O presidente propôs que nos rendamos. Ficaremos aqui com os manifestantes", declarou um dos líderes da oposição, Arseni Yatseniuk, à emissora de televisão Kanal 5. "O governo desencadeou uma guerra contra o próprio povo", declarou outro líder do movimento, o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko.

A violência ameaça afetar o restante da Ucrânia. Em Leopolis, reduto dos protestos na região oeste, 5.000 manifestantes assumiram o controle das sedes do governo local e da polícia, assim como de prédios militares e depósitos de armas.

A Rússia atribuiu a explosão de violência aos ocidentais, que "fecham os olhos para as ações agressivas das forças radicais na Ucrânia".

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