tamanho da fonte minímo médio máximo

Internacional

Carta Capital

Estado Palestino

23.09.2011 15:51

‘Temos um objetivo: Existir’

Em discurso enfático, Mahmoud Abbas mostra a requisição para o reconhecimento do Estado Palestino e pede o fim dos assentamentos israelenses. Foto: Stan Honda/AFP

Em um dos momentos mais aguardados da 66ª Assembléia Geral da ONU, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu em um discurso de 35 minutos que a Palestina seja aceita como o 194º membro pleno das Nações Unidas. Enquanto isso, imagens da rede de televisão britânica BBC mostravam ruas lotadas de Ramallah, capital da Cisjordânia, diversas bandeiras palestinas e a comoção popular.

Pela manhã, Abbas entregou ao Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, um pedido escrito para o reconhecimento do Estado Palestino com as fronteiras pré-1967, antes da Guerra dos Seis Dias. No conflito, Israel ocupou Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã.

Antes do pronunciamento do líder palestino, o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e prega a destruição de Israel, rejeitou o pedido de Abbas à ONU, alegando que os palestinos deveriam libertar sua terra e “não implorar por reconhecimento”.

Um dos dirigentes do grupo, Ismail Haniyeh, disse a jornalistas que “países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades.”

Leia mais:

O mundo gira, a ONU trava
‘Estado da Palestina Já!’
Palestina agradece ao Brasil
Palestinos pedem o direito de existir

No discurso, que foi interrompido diversas vezes por aplausos dos presentes na Assembleia, o líder palestino disse que há um ano havia esperanças de um acordo de paz. Porém, o mesmo falhou apenas uma semana após o seu início, por culpa da construção de assentamentos israelenses em solo paletino, segundo Abbas. “A política de ocupação colonial de Israel e seus assentamentos  destruirão as chances de uma solução com dois Estados.”

O presidente palestino ainda afirmou que negociações contínuas com os israelenses serão possíveis somente quando as construções de assentamentos pararem.

“Senhoras e senhores, esse é o momento da verdade. Somos o último povo no mundo a ser ocupado. Esse mundo vai permitir que o Estado de Israel continue com isso”, declarou, completando que não quer o isolamento israelense ou sua deslegitimação. “Deixe-nos construir pontes de diálogo ao invés de pontos de triagem.”

Emoção

“Basta. É chegado o momento do meu povo corajoso e minha colônia poder viver como outros países da Terra, em um território independente”, bradou, emocionando a tradutora simultânea da BBC, que claramente chorava. A Assembleia também se levantou e aplaudiu.

Na Faixa de Gaza, mulher palestina em manifestação pelo reconhecimento do Estado Palestino. Foto: Mahmud Hams/AFP

Segurando uma cópia do requerimento para adesão da Palestina à ONU, Abbas pediu que Ban Ki-moon aceitasse o pedido e o levasse ao Conselho de Segurança para ser votado. Depois, dirigiu-se aos presentes na Assembleia. “O seu apoio para o reconhecimento do Estado Palestino é a maior contribuição para a paz na região [Oriente Médio]. Espero que não tenhamos que esperar muito.”

“Temos um objetivo: Existir. E existiremos”, conclamou.

Porém, para que isso ocorra, os palestinos precisam de ao menos nove votos favoráveis entre os 15 membros do Conselho de Segurança e de nenhum veto dos cinco membro permanentes: EUA, Rússia, Reino Unido, França e China. No entanto, Barack Obama já adiantou que vetará a proposta. Para o presidente americano, o apoio a um Estado Palestino só poderá ocorrer após um acordo de paz com Israel.

Além disso, a votação no Conselho de Segurança pode demorar semanas e os EUA podem nem precisar exercer o poder de veto, uma vez que Washington e Israel têm feito lobby junto aos membros para que rejeitem a proposta palestina ou se abstenham.

Israel responde

Benjamin Netanyahu declarou, após o discurso de Abbas, que os palestinos não aceitam negociar e que não voltará às fronteiras de 1967. Foto: Jack Guez/AFP

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou na Assembleia Geral logo após Abbas. Ele afirmou buscar uma paz duradoura com o vizinho e destacou a necessidade de negociações diretas para a formação de um Estado Palestino, algo que não será alcançado com resoluções da ONU.

O premier rebateu as afirmações de Abbas e disse que os líderes palestinos não estão dispostos a negociar. “Os riscos de segurança em Israel devem se dissipar com um acordo de paz com os palestinos antes que eles consigam sua independência”, declarou.  “Quando houver paz, seremos o primeiro país a reconhecer a Palestina como Estado independente.”

Netanyahu negou que a retirada dos assentamentos israelenses seja um caminho para a paz na região, pois quando deixaram o Sul do Líbano e Gaza, os radicais assumiram.

O premier ainda descartou a possibilidade de devolver os territórios ocupados em 1967, por serem imprescindíveis para a segurança de Israel.

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Alemanha entre tijolos e pedras « CartaCapital disse:
    [...] Leia mais: Israel aceita dialogar com palestinos Israel e Palestina em novo impasse Hamas anuncia fim da trégua com Israel ‘Temos um objetivo: Existir’ [...]
  2. Leonardo disse:
    VIVA SUDÃO DE SUL: Quando, em 1935, os alemães criaram leis restritivas de direitos para os judeus, houve reações intensas na mídia muldial e demonização do governo alemão. Mas, nos EUA, leis discriminatórias contra negros vigoraram até a década de 60 e nenhum político ou líder americano foi jamais demonizado por isso. O mesmo aconteceu na Africa do Sul até fins do último século. Parece que o racismo contra judeus é mais grave que contra negros!
21mai

Partido fundado por comediante elege prefeito de Parma

Federico Pizzarotti, do Movimento Cinco Estrelas, gastou apenas 6 mil euros em sua campanha

21mai

Irã expulsa diplomata acusado de abuso sexual

Hekmatollah Ghorbani foi demitido do Ministérios das Relações Exteriores do Irã após acusações de molestar quatro meninas

21mai

Justiça francesa abre investigação por supostos estupros em caso ligado a DSK

A Procuradoria de Lille (norte da França) pediu nesta segundaque seja aberta uma investigação sobre fatos possivelmente classificados de estupro em grupo, ocorrido em 2010

21mai

Otan vai passar responsabilidade pela segurança aos afegãos em 2013

Organização passará a ter um papel de apoio até a retirada das tropas internacionais do país no final de 2014