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Geologia

Você sabe como funciona o pré-sal?

por Marsílea Gombata publicado 21/09/2015 10h13, última modificação 08/10/2015 16h11
Camada de petróleo, localizada entre Santa Catarina e Espírito Santo, tem cerca de 149 km2 e rende 800 mil barris por dia

O que é pre-sal?

O pré-sal é uma camada de petróleo que fica em grandes profundidades oceânicas, sob um espesso estrato de sal. Ela é formada por uma sequência de rochas sedimentares de mais de 100 milhões de anos. Com o distanciamento entre África e América do Sul, foi se acumulando na rachadura entre os dois continentes matéria orgânica, que posteriormente foi enterrada em uma camada de sal de 2 km de espessura. Sob tal camada, o material orgânico ali depositado sofreu processos termoquímicos e foi transformado em hidrocarbonetos (petróleo e gás natural).

Onde ele está?

A camada pré-sal fica localizada em uma área de cerca de 800 km de extensão por 200 km de largura, no litoral entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo. A área total da chamada “província do pré-sal” tem cerca de 149 km2 e corresponde a cerca de três vezes e meia a área do estado do Rio de Janeiro. As reservas ficam a 300 km da região sudeste do País, que concentra cerca de 55% do PIB brasileiro.

Quando o pré-sal foi descoberto?

Descoberta em 2007, a camada pré-sal é uma grande jazida de petróleo localizada abaixo do leito do mar, com volume de aproximadamente 50 bilhões de barris. Além da alta profundidade do mar e das condições difíceis de trabalho no oceano, o maior desafio para geólogos e engenheiros foi acessar a reserva, que fica entre 5 e 7 km abaixo do solo marítimo, localizada sob a camada de sal de 2 km.

A qualidade do petróleo ali encontrado é boa?

Apesar de não ser da melhor qualidade, o petróleo da camada pré-sal é superior à do encontrado sobre a camada de sal. Enquanto esse tipo é composto em 70% por petróleo do tipo “pesado”, ou seja, com enormes cadeias de carbono em sua composição que exigiriam processos de refino caros para ser transformado em produtos de alto valor como diesel, gasolina e lubrificantes, a matéria prima encontrada na camada pré-sal tem densidade média, baixa acidez e baixo teor de enxofre, sendo mais fácil de refinar e mais valiosa. A qualidade superior deve-se à altas temperaturas das profundezas oceânicas, que impediram a proliferação de bactérias responsáveis por consumir as frações mais leves do óleo no pós-sal.

Como o petróleo é extraído de lá?

O processo de extração de petróleo varia de acordo com a profundidade em que o produto se encontra. Como as profundidades do petróleo do pré-sal ultrapassam 7 mil metros em relação ao nível do mar, é preciso um domínio tecnológico avançado para extraí-lo sob os 2 km do estrato de sal, a 300 km da costa brasileira. Os materiais para prospecção e extração são submetidos a variações de temperaturas superiores a 80 graus. O principal meio de detecção de petróleo é através de atividades sísmicas, autorizadas sob licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Além disso, há envolvimento de universidades e centros de pesquisa e são utilizadas sondas de perfuração, plataformas de produção, navios, submarinos, com recursos que movimentam toda a cadeia da indústria de energia. O custo de exploração do pré-sal tem caído cada vez mais e atingiu o patamar de 9 dólares por barril, frente à média anterior 14,6 dólares por barril.

Quantos barris rende o pré-sal?

De 2010 a 2014, a média anual de produção diária do pré-sal cresceu quase 12 vezes, avançando de uma média de 42 mil barris por dia em 2010 para 492 mil barris por dia em 2014. Em abril deste ano chegou-se à produção de mais de 800 mil barris por dia no pré-sal, dez meses após a marca dos 500 mil barris diários, alcançada em junho do ano passado.

Em que pé está a produção do pré-sal?

Em julho, a produção do pré-sal alcançou a marca de 812,1 mil barris de petróleo por dia, além de 30,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), a produção é oriunda de 54 poços do pré-sal e representa um aumento de 8,4% em relação ao mês anterior. Em relação à produção total, que engloba o pré-sal, o Brasil apresentou em julho uma produção de 2,46 milhões de barris diários de petróleo e 95,3 milhões de metros cúbicos de gás natural. Desse total, 92,5% é proveniente de campos operados pela Petrobras, sendo o de Roncador, na Bacia de Campos, o de maior produção de petróleo (371,3 mil barris por dia), e o de Lula, na Bacia de Santos, como o maior produtor de gás natural (14,3 milhões de metros cúbicos por dia). Vale lembrar que, apesar do pré-sal, o Brasil não é autossuficiente em relação ao petróleo que consome. Embora consigamos extrair mais petróleo do que se consome, não somos capazes de refinar todo o óleo pesado.

Por que criou-se uma empresa apenas para cuidar do pré-sal?

Por se tratar de um volume inédito de matéria prima e recursos envolvidos no pré-sal, o governo federal decidiu por criar um organismo exclusivo para administrá-lo. Inaugurada em 2013, após autorização por lei sancionada em agosto de 2010, a Pré-Sal Petróleo (PPSA) nasceu para gerenciar e fiscalizar contratos de exploração de petróleo sob regime de partilha nos campos do pré-sal. A estatal funciona como uma subsidiária da Petrobras. Sob o atual regime de partilha da exploração do pré-sal, a estatal garante participação de 30% em todos os empreendimentos.

O que será feito com o dinheiro conseguido através do petróleo do pré-sal? Esse dinheiro vai para a educação?

O compromisso do governo federal, previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), é destinar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação até 2024. Para isso, a principal aposta é destinar as receitas provenientes da exploração do petróleo para o chamado Fundo Social, criado pela presidenta Dilma Rousseff com foco no ensino básico. O controle dos recursos do pré-sal pelo Estado e o consequente uso desses na educação, no entanto, ficam atrelados à obrigatoriedade da Petrobras em participar do modelo de exploração dos campos no pré-sal. O modelo, no entanto, corre risco diante do tramitação no Congresso Nacional do Projeto de Lei 131/2015, do senador José Serra (PSDB-SP), que retira o dever da Petrobras de participar do modelo de exploração dos campos de petróleo do pré-sal. Levantamento feito pela Comissão de Educação do Senado aponta que com a mudança, apenas do campo de Libra, deixariam de ser arrecadados 100 bilhões de reais para o Fundo Social e 50 bilhões de reais para educação e saúde, segundo números apresentados recentemente pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) durante a audiência com o ministro da Educação, Janine Ribeiro.

Esse dinheiro vai ajudar o Brasil a sair da crise?

A expectativa é que a renda proveniente do petróleo nos campos do pré-sal seja uma importante fonte para a economia brasileira. No cenário atual, no entanto, dificuldades financeiras atrapalham a Petrobras, que poderá ter de levantar capital fontes alternativas de financiamento, em meio a um desanimador cenário de fornecimento de crédito.