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Tendência do setor, energia solar deve ser aposta do governo

por Roberto Rockmann — publicado 25/02/2016 07h47
Disparada das tarifas de energia elétrica tem elevado a procura das empresas por eficiência energética
Dario Zalis
Energia-Solar

Os painéis respondem por mero 0,1% da energia produzida no País

Eficiência energética, autoprodução, microgeração distribuída solar e redes inteligentes de energia serão tendências crescentes no setor elétrico nos próximos anos. A disparada das tarifas tem elevado a procura das empresas por eficiência energética, seja por meio de medidas de racionalização de equipamentos, seja pelo uso de geradores em horários de pico, quando a energia é mais cara. 

Em 2015, a CPFL Eficiência firmou contrato com a Algar Tech, multinacional brasileira que desenha soluções de tecnologia da informação. Pelo acordo, os sistemas de iluminação e climatização na paulista Campinas e na mineira Uberlândia serão modernizados e haverá investimentos em dois projetos de energia solar

O acordo prevê ainda parceria com a Alsol, incubada da Algar na área de energia solar, para a construção de uma usina solar no data center da empresa em Campinas e a expansão da planta existente no data center de Uberlândia. Esses projetos proporcionarão uma economia de 3,5 mil megawatts por ano no consumo de energia da Algar Tech, dos quais 73% correspondem às ações de eficiência energética e 27% são provenientes da autoprodução de energia das usinas solares. A execução desses projetos custará 6 milhões de reais em investimento, 100% financiados com recursos próprios da CPFL Eficiência. 

A CPFL Eficiência, unidade de negócio responsável pela área de autoprodução do grupo, tem realizado eventos pelo País para mostrar as opções à indústria e ao varejo. Luciano Goulart, diretor, diz que o assunto ganhou relevância no atual momento. “A alta das tarifas estimula tanto a eficiência quanto a autoprodução de energia. Os projetos que antes não eram viáveis comercialmente ganharam outro fôlego.” 

A microgeração distribuída também avança. Desde 2012, uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica permite ao pequeno consumidor residencial ou comercial com excedente de geração de energia de fonte própria acumular créditos e descontar da conta. No fim do ano passado, a Aneel aprovou aperfeiçoamentos na regulação, que começarão a vigorar a partir de março. As novas regras possibilitam a instalação da geração distribuída em condomínios. Nessa configuração, a energia gerada poderia ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores. Foi criada ainda a figura da “geração compartilhada”, na qual diversos interessados se unem em um consórcio ou cooperativa. Desde a publicação da Resolução em 2012 até o fim do ano passado, já foram instaladas cerca de 1,2 mil centrais geradoras, mais de 95% baseadas em fonte solar fotovoltaica. 

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Tolmasquim, da Empresa de Pesquisas Energéticas, vislumbra uma nova cadeia produtiva (Foto: Greg Salibian)

A Aneel prevê que até 2024 perto de 1,2 milhão de unidades consumidoras produzam sua própria energia em um total de 4,5 gigawatts de potência instalada. Na Alemanha, a geração alcança 17,5 gigawatts. 

Com presença tímida, estimada em menos de 0,1% da geração elétrica no País, a energia solar tende a ganhar espaço a partir da microgeração distribuída. Segundo o presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas, Mauricio Tolmasquim, o ingresso da fonte na matriz poderá ter impacto sobre a indústria nacional, de maneira similar àquela ocorrida com o avanço da eólica. O Brasil possui as maiores reservas do mundo de quartzo, a matéria-prima bruta para o silício, usado na fabricação de células solares fotovoltaicas. O País ainda conta com um parque industrial de processamento de silício até o grau metalúrgico, o primeiro degrau para a produção da matéria-prima utilizada na fabricação das células fotovoltaicas. “Poderemos criar uma cadeia local, assim como foi feito com a energia eólica.”

O maior avanço da microgeração ocorreu em Minas Gerais, por conta da decisão do governo estadual de conceder um desconto, em 2012, sobre o ICMS cobrado. Outros estados, entre eles Pernambuco e São Paulo, adotaram medidas semelhantes, com o aval dos secretários de Fazenda. A média do investimento dos clientes atendidos pelas distribuidoras está entre 20 mil e 25 mil reais, suficiente para abastecer uma residência de cerca de 200 metros quadrados e quatro moradores. O retorno se daria em até 20 anos, em algumas áreas de concessão, como o interior paulista. Além do alto custo dos equipamentos solares, boa parte importada, outro obstáculo era o ICMS cobrado.

As redes inteligentes de energia também deverão avançar. Nos Estados Unidos, 43% das unidades consumidoras operam com medidores inteligentes. O porcentual chega a 100% na Califórnia, estado onde os medidores instalados são bidirecionais, o que permite tanto ler o consumo quanto indicar se o cliente gera a sua própria energia por um painel fotovoltaico. Na China, com investimento de 45 bilhões de dólares da estatal State Grid, até o fim deste ano 80% das unidades consumidoras deverão ter medidores inteligentes. No Brasil, 6% da energia gerada é desperdiçada. Com um sistema mais dependente das usinas a fio d’água, ganha importância a gestão do consumo. A renovação das concessões de distribuição, baseada em metas de qualidade mais rígidas, tende a estimular a expansão desse tipo de rede no País, onde apenas 5% dos 80 milhões de medidores são inteligentes.

Analistas estimam que, em 2020, o mercado poderá movimentar 1,3 bilhão de reais ao ano. Para as redes inteligentes saírem do papel, será preciso construir condições econômicas para as concessionárias investirem em equipamentos e tecnologias que permitam a gestão a distância. Um investimento alto no início, mas compensador no longo prazo.