apresentado por: Petrobrás Banco do Brasil
Você está aqui: Página Inicial / Sob o setor privado, aeroportos atraem cada vez mais passageiros

Infraestrutura

Setor aéreo

Sob o setor privado, aeroportos atraem cada vez mais passageiros

por Roberto Rockmann — publicado 26/10/2015 13h53, última modificação 26/10/2015 13h56
A movimentação cresce 10% ao ano nos terminais concedidos, o dobro da taxa dos aeroportos nas mãos da estatal Infraero
Rodolfo Vilela/ Portal da Copa/ ME
aeroportos e novas áreas construídas

A nova área de embarque e desembarque em Brasília

Desde 2012, após a concessão à iniciativa privada de seis aeroportos, entre eles Guarulhos, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro, perto de metade dos passageiros passou a embarcar e desembarcar em áreas não administradas pelo Estado. O porcentual vai aumentar substancialmente e alcançar dois terços com os leilões previstos nos próximos meses dos terminais de Salvador, Florianópolis, Porto Alegre e Fortaleza. Atrair capital novo tornou-se a saída para atender à crescente demanda. Entre 2004 e 2013, o uso de aviões no trajetos de longa distância saltou de 31% do total para 58%. A ascensão social de milhões de brasileiros combinou com a queda das tarifas, de 630 reais, em média, em 2004, para 330 reais nove anos depois.

A melhora e a ampliação dos serviços oferecidos aos usuários e os investimentos em maior capacidade têm sido a receita das concessionárias para atrair mais passageiros e voos. A movimentação cresce 10% ao ano nos terminais concedidos, o dobro da taxa dos aeroportos nas mãos da Infraero, estatal que administra a malha da União. “A iniciativa privada aposta na modernização dos espaços e na redução de gargalos nas pistas e nas áreas de passageiros, e isso propicia maior diversificação das receitas”, explica Rafael Quinane, da BF Capital. Um exemplo é Guarulhos, que recebeu quase 40 milhões de passageiros no ano passado.

 A abertura de novos espaços comerciais alterou a receita do Aeroporto de Cumbica. Três anos atrás, 59% da receita vinha das tarifas aeroportuárias e 41% de outros serviços, incluídos a exploração dos espaços interno e externo e os serviços. Em 2014, pouco mais de um ano após a assinatura do contrato de concessão, a receita não tarifária chegou a 52%, reflexo principalmente da abertura do novo terminal de embarque de passageiros. “Com a gestão profissionalizada, as empresas buscam novas formas de rentabilizar a operação, com aumento das receitas não tarifárias, que ficavam em 30% a 40% antes da privatização”, observa Quinane.

Em agosto, Guarulhos inaugurou seu primeiro hotel na área internacional de embarque. Com 80 quartos, cada um com 25 metros quadrados, o espaço, perto do terminal 3, traz uma novidade para passageiros no Brasil e na América Latina. Quem fará escala no aeroporto poderá se hospedar por algumas horas enquanto espera a conexão. Por estar localizado na área alfandegada, os passageiros não precisarão passar pela imigração antes de embarcar para outro destino internacional. A estadia mínima é de três horas e o preço chega a 75 dólares, mas há opções de ficar mais tempo, como períodos de 6, 12 e até 24 horas.

Renato Sucupira
Sicupira, da BF Capital. Créditos: Greg Salibian

Em dezembro de 2016, está prevista a inauguração de outro hotel perto do edifício-garagem, em frente ao novo terminal 3, com a oferta de 350 quartos de padrão mais elevado. Haverá um restaurante com 300 lugares aberto ao público e a participantes de eventos. Em 2014, antes do início da Copa do Mundo, a concessionária inaugurou o novo terminal, que atualmente concentra 80% dos voos internacionais. A área para passageiros passou de 191 mil para 387 mil metros quadrados. A capacidade do aeroporto pulou de 30 milhões de passageiros por ano para 42 milhões.

No momento, o aeroporto está na segunda etapa das obras. Ela inclui a reforma e ampliação dos terminais 1 e 2, que recebem 75% dos passageiros. O projeto de modernização, com ampliação das áreas operacionais (check-in, raio X, controle de passaporte, restituição de bagagem) e maior oferta de lojas, principalmente em alimentação, foi iniciado em outubro de 2014 e deve ser concluído no segundo semestre do próximo ano. Os investimentos somam 200 milhões de reais.

A atração do capital privado tende a provocar mudanças nos terminais nas mãos da Infraero. Para dar poder de competição à estatal, o governo criou a Infraero Serviços em parceria com a alemã Fraport. A estatal enfrenta um duplo desafio: é acionista minoritária nos consórcios que administram cinco aeroportos e terá de conduzir a parceria, uma aposta na modernização dos terminais públicos com a incorporação das melhores práticas internacionais. A convivência de diferentes operadores, em tese, vai permitir à Infraero implementar inovações tecnológicas para melhorar o sistema.

“Os aeroportos têm atraído várias empresas do exterior interessadas em participar dos leilões, além do movimento da concessão de novos terminais. Poderemos ver troca de cadeiras naqueles concedidos por conta da Operação Lava Jato”, diz Renato Sicupira, da BF Capital. A Invepar, que detém participação em Guarulhos, tem entre seus sócios os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef e a OAS, construtora em recuperação judicial e que busca um interessado em seus 25% detidos no consórcio.