apresentado por: Petrobrás Banco do Brasil
Você está aqui: Página Inicial / Em todas as coisas, a internet

Infraestrutura

Tecnologia

Em todas as coisas, a internet

por Carlos Drummond publicado 18/12/2015 11h53, última modificação 18/12/2015 12h25
Objetos e utensílios ganham acesso à rede, em um processo que deve impactar as áreas de energia, saúde, indústria, transporte e educação
Felipe Campos Mello
max leite intel

Max Leite, diretor de Inovação da Intel Brasil

Depois do desenvolvimento da infraestrutura digital, com equipamentos e dispositivos incluídos, e da multiplicação de aplicativos, a internet avança com rapidez no mundo inanimado dos objetos e utensílios e assume uma nova identidade, a da Internet das Coisas ou IoT, sigla para a expressão Internet of Things. Espera-se um grande impacto nas áreas de energia, saúde, indústria, pesquisa e desenvolvimento, transporte, logística, educação e alimentação e outras, com aumento das encomendas às industrias de equipamentos e às empresas de softwares, crescimento do tráfego dos sistemas de transmissão de dados e, principalmente, benefícios à parcela da população com acesso a essa nova fronteira de desenvolvimento do mundo digital.

A IoT representará também, para países como o Brasil, uma oportunidade de saltar etapas no processo conhecido como catching up, que consiste em absorver técnicas e conhecimentos dos centros avançados e atingir a sua produtividade, com redução dos hiatos tecnológico e econômico.

“O Brasil já tem infraestrutura de IoT como a plataforma da Intel, que inclui o gateway fornecido por vários fabricantes e a solução de monetização e conexão segura desde o sensor na ponta até o centro de dados”, explica Max Leite, diretor de Inovação da Intel Brasil. Há também inovações como o Posto do Futuro, lançado há três anos pela empresa em colaboração com a Petrobras e que permite o reconhecimento automático, customização do serviço e pagamento através de um sensor no veículo. “O Brasil é o primeiro no mundo a disponibilizar esta experiência baseada em IoT, que já conta milhares de postos de mais de uma bandeira. As empresas brasileiras podem também começar a pensar em exportar a solução”, diz o diretor da Intel.

As perspectivas para os próximos cinco anos são promissoras, mas alguns aspectos preocupam. O País tem uma liderança natural por contar com um dos maiores setores de desenvolvimento de software, parque industrial complexo e diversificado, iniciativas do governo como o Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav), migração de iluminação pública, demanda de computação de alto de desempenho encabeçada pela exploração do pré-sal e uma das principais bases instaladas de M2M do mundo. A M2M é a comunicação de máquina com máquina (machine to machine). Com a evolução das redes de sensores sem fio, internet, computadores , smartphones e outros aparelhos, foi possível ampliar a telemetria ou comunicação entre dois ou mais dispositivos. A telemetria evoluiu para a comunicação M2M, com expansão da interação entre vários dispositivos através de redes, uma preparação da base para a Internet das Coisas. Um dos seus usos mais conhecidos é nas corridas de Fórmula 1. Sensores instalados nos sistemas de rodas, no motor, na suspensão e em outras partes dos carros obtêm e transmitem informações sobre o comportamento do veículo nessas partes críticas. As informações são captadas através de ondas de rádio por um computador que as processa e emite indicadores dos ajustes e regulagens necessários para melhora do desempenho do veículo. 

Apesar das vantagens enumeradas acima, o Brasil “vem perdendo espaço rapidamente para outros países na América Latina devido à dificuldade de acesso a plataformas de desenvolvimento de IoT como o Edson e Gallileo, à falta de um plano nacional de IoT com incentivos para a indústria, a agricultura e o transporte darem um salto baseado em IoT e também à falta de infraestrutura de comunicação apropriada baseada em IPv6”, diz Leite. A IPv6 é a versão mais recente do chamado Protocolo de Internet ou IP, acrônimo do nome original em inglês Internet Protocol. O IP é um número que identifica um computador ou outro dispositivo em uma rede de internet.

Segundo a Secretaria de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, a nova etapa do uso da Internet exigirá ampliar a banda larga para 90% dos municípios com redes de fibra óptica, elevar a velocidade média da banda larga fixa de 5 para 25 Mbps até 2018 e, no mesmo prazo, atingir 300 milhões de conexões via banda larga móvel e fixa. Outro objetivo é chegar a 45% dos domicílios urbanos com redes de acesso via fibra óptica até o fim deste ano.

Para a Associação da indústria eletroeletrônica, a Abinee, “a IoT será um elemento importante para o incremento da eficiência em diversas esferas da economia e da sociedade de forma geral”. A entidade integra a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação M2M do Ministério das Comunicações, formada pela Anatel, ministérios e outros órgãos, que está discutindo uma política nacional para o segmento com o objetivo de impulsionar as novas tecnologias.

As montadoras estão na linha de frente da IoT no Brasil, em sintonia com a tendência mundial do setor. “Os fabricantes de veículos estão, na sua maioria, engajados no desenvolvimento de dispositivos e sistemas conectados, e hoje já temos veículos com sensores para diversas funções, cujas informações geradas poderão ser reunidas numa central de inteligência”, de acordo com a Abinee. Para a indústria em geral, os principais benefícios derivados dos dispositivos conectados e da comunicação máquina a máquina são a otimização na utilização dos ativos, maior eficiência da cadeia de suprimentos,  aumento da produtividade, maiores possibilidades de inovação e melhor experiência do cliente.

A IoT tem potencial para provocar avanços significativos nas cidades, por meio da conexão de pontos da infraestrutura de serviços dos governos aos locais de acesso público e a criação ou ampliação do uso de aplicativos do chamado governo eletrônico’ nas áreas da saúde, educação, tributária e financeira.

O avanço da infraestrutura poderá viabilizar as casas e os prédios conectados às cidades inteligentes. A casa inteligente tem, no seu núcleo central de comunicação, um hub ou central de conexão dos diversos aparelhos e dispositivos e possui funções de comando desses, de acionamento à distância e roteamento. Possui também gerenciamento de energia, segurança, carregamento da bateria do veículo elétrico, utilização de carga da bateria do veículo elétrico em caso de emergência, gerenciamento do funcionamento dos aparelhos eletrodomésticos em horários de menor demanda ou tarifa mais barata, alarmes e câmeras monitoradas à distância, muitas vezes sem intervenção humana, possibilidade de alimentação com painéis solares e utilização do excedente de energia gerada, dentre as aplicações mais importantes.

As tecnologias que tornam possíveis essas funcionalidades são os sistemas integrados em um chip de processamento, a utilização da rede celular 3G ou 4G, wi-fi de baixa potência para comunicação banda larga no ambiente da residência, tecnologia HPGP (High Performance Green Propulsion) para uso eficiente de aparelhos eletrodomésticos, visando eficiência para economia de recursos e energia e interoperabilidade, e wi-fi com largura de banda e características adequadas para a operação de sensores e dispositivos específicos da Internet das Coisas.

Em um cenário que anos atrás seria considerado futurista, as cidades inteligentes, viabilizadas pela Internet das Coisas, conectarão dispositivos dos prédios inteligentes, com alimentação e gerenciamento de energia, do trânsito por semáforos conectados e sistemas de estacionamento automatizados, sinalização digital automática de eventos, carros conectados, sistemas integrados de transporte e segurança públicos, gerenciamento inteligente da água e resíduos. Isso tudo colabora para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos e facilitar a gestão por parte das autoridades.

Segundo a empresa de tecnologia Cisco, a IoT correspondia em 2013 a 25 bilhões de dispositivos conectados. Em 2020, o número dobraria para 50 bilhões e se alcançaria a etapa da “internet de tudo: pessoas, processos, dados e coisas”, com a criação de novas oportunidades para os negócios e os países.  Na próxima década, o valor envolvido na IoT e seus desenvolvimentos poderia atingir 14,4 trilhões de dólares, segundo a estimativa otimista da organização.