apresentado por: Petrobrás Banco do Brasil
Você está aqui: Página Inicial / Como conciliar a oferta de empregos com a construção de casas populares?

Infraestrutura

Metrópoles

Como conciliar a oferta de empregos com a construção de casas populares?

por Roberto Rockmann — publicado 19/11/2015 20h29, última modificação 22/11/2015 08h35
Planejamento de conjuntos habitacionais para populações de baixa renda nos extremos das cidades é um desafio para a mobilidade
Lena Diaz/Fotos Públicas
Metrô-de-São-Paulo

Com empregos e serviços concentrados em poucas regiões, São Paulo vive o caos diariamente

valorização dos imóveis nos últimos anos, provocada pelo aquecimento do mercado imobiliário e acesso mais fácil ao crédito, intensificou um problema presente nas regiões metropolitanas. A oferta de serviços e de trabalho está cada vez mais distante da moradia das famílias de menor renda, que sofrem crescentemente com a infraestrutura urbana deficiente.

Isso expõe a falha política de uso e ocupação do solo nas cidades brasileiras e exige aperfeiçoamentos. Perto de um terço dos brasileiros passa mais de uma hora por dia no deslocamento entre sua casa e o trabalho ou escola, segundo pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria. Em 2011, primeiro ano da pesquisa sobre mobilidade urbana, 26% gastavam mais de uma hora.

Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, 39% dos moradores passam mais de uma hora no trânsito, e 4% dos entrevistados gastam mais de três horas por dia.

Maior cidade do País e uma das cinco maiores do mundo, São Paulo convive com uma oferta de empregos e vagas em escola na zona oeste 20 vezes superior à da zona leste.

As seis subprefeituras que formam o centro expandido da cidade (Sé, Pinheiros, Lapa, Vila Mariana, Santo Amaro e Mooca) reúnem 17% da população paulistana, mas 64% dos empregos. Já a zona leste concentra quase 40% da população, embora ofereça apenas 15% dos empregos.

A principal causa dos problemas é a falta de um planejamento que evite a concentração da oferta de atividades, como educação, saúde, comércio e produção industrial em poucas regiões, normalmente distantes das áreas com maior número de habitantes.

Melhorar a mobilidade exige mudanças na ocupação do solo urbano e muito dinheiro. Estudos realizados em Belo Horizonte apontam que a rede de linhas subterrâneas da cidade deveria ter 150 quilômetros de extensão para atender à demanda.

Para se chegar à extensão necessária, seria preciso investir 150 bilhões de reais. “Isso mostra o desafio que existe, o que mostra que não será o Orçamento da União ou Orçamentos de estados que farão o milagre.

Será preciso adotar soluções diferenciadas, como a atração de investidores estrangeiros que possam operar as linhas”, observa Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura da Fundação Dom Cabral.