Você está aqui: Página Inicial / Educação / Mudança na rede de estadual amplia chance de reprovação

Educação

Educação

Mudança na rede de estadual amplia chance de reprovação

por Redação — publicado 08/11/2013 15h02, última modificação 08/11/2013 15h48
O novo sistema prevê que o ensino fundamental seja dividido em três ciclos: do 1º ao 3º ano, do 4º ao 6º ano e do 7º ao 9º ano
A2 Fotografia/Sergio Andrade/Secretaria estadual da Educação
Alunos da rede pública de SP

Alunos do ensino fundamental da rede pública de SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta sexta-feira 8 que, a partir de 2014, os alunos do ensino fundamental da rede estadual de ensino passarão por três ciclos com possibilidade de reprovação.

Atualmente a rede estadual funciona com o sistema de ciclos no ensino fundamental. Ou seja, o aluno só é retido ao final do 5º ano e ao final do 9º ano caso não seja aprovado.

O novo sistema prevê agora que o ensino fundamental seja dividido em três ciclos: do 1º ao 3º ano, do 4º ao 6º ano e do 7º ao 9º ano. O estudante pode ser reprovado ao final de cada um desses ciclos.

De acordo com o governo, a mudança deve afetar cerca de 2,5 milhões de estudantes. O estudante poderá ser reprovado pelo número de faltas em todos os anos do ensino fundamental.

Durante o anúncio, no Palácio dos Bandeirantes, a equipe tucana se apressou em dizer que a mudança não teve influência do anúncio, feito três meses antes pela Prefeitura de São Paulo, do fim da aprovação continuada na rede municipal de ensino.

"Não teve nenhuma interferência. A reestruturação vem sendo discutida na rede há três anos", disse Alckmin.

Recentemente, o governador elogiou os corredores de ônibus inaugurados pela administração petista e, a exemplo do prefeito, disse que também tinha interesse em usar transporte público durante os compromissos externos.

Solução? Embora tenha apoio de pais e professores, a reprovação é alvo de questionamento por especialistas, conforme mostrou reportagem recente da revista Carta Fundamental. “Não existe nenhuma pesquisa mostrando que onde há reprovação anual os alunos apresentam desempenho melhor do que onde não há reprovação”, disse à época a professora do Departamento de Educação da Unifesp Márcia Jacomini.

Ainda de acordo com a reportagem, um relatório divulgado em 2012 pelo Instituto de Estatísticas da Unesco estimava que 9% dos custos com educação básica no Brasil sejam destinados a dar suporte aos alunos reprovados na escola. A professora cita uma pesquisa, realizada em 2002 pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE com 16 mil alunos da região sudeste, que investigou o impacto do regime de organização do ensino (seriado ou em ciclos) nos resultados escolares dos estudantes. Não foi encontrada evidência de que o desempenho acadêmico dos alunos com defasagem idade-série seja inferior ao desempenho dos alunos em idade adequada por causa do regime de organização do ensino em vigor na escola que ele frequenta.

Professor da Faculdade de Educação da USP e crítico à reprovação, Vitor Paro explica que o professor aprende que a reprovação é positiva durante sua própria formação escolar. Márcia Jacomini chegou à conclusão semelhante ao estudar as opiniões de pais e alunos sobre a progressão continuada e a reprovação na rede municipal de São Paulo. Para ela, a reprovação ainda é vista como um estímulo positivo para o aluno porque a experiência escolar da maioria envolveu a reprovação e a organização seriada. “Na verdade, há uma compreensão presente no senso comum de que a reprovação é um instrumento necessário para o processo educativo”, conta.

Na mesma reportagem, Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, ressaltou os aspectos moralistas da proposta de reestruturação: “Há um senso comum disseminado de que a reprovação é boa e sua ausência é lasciva”.