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Urbano e rural

por Rui Daher publicado 20/03/2015 10h38
Opino sobre fatos e realidades, não sobre política partidária
Camila Domingues / Palácio Piratini

Escrevi sobre a paulistana Ignez Magdalena Aranha de Lima quando ela completou 85 anos, no blog que eu mantinha em Terra Magazine, hoje extinto. Inezita Barroso faleceu no último dia 8 de março, aos 90 anos, e minha eterna admiração expus naquele texto.

Guerrilheira, sua ação extrapolava a política até a hipotética Sierra Maestra de onde defendia a cultura nacional. Batalha crescentemente árdua, na medida em que a música sertaneja, caipira, se Globalizou e ficou de quatro para poder enricar.

Nascida em família rica, estudou piano e deu aulas no Conservatório Musical. Formou-se em Biblioteconomia na USP e nisto trabalhou até quando, da cidade que não podia parar, enxergou o sertão.

Das mesmas megalópole e condição partem minhas Andanças Capitais, entre o pecado do agronegócio e a santidade dos assentamentos sem-terra, medíocre maniqueísmo da Federação de Corporações, que faz os principais vetores da agropecuária não se conversarem, e ainda menos chegarem às conjunções carnais.

Entendam. Opino sobre realidades, não sobre política partidária. A quem pela segunda se interessa, sugiro passarem os dias digitando seus brilhantes panfletos de cinco linhas. Depois, olhem-se no espelho e ouçam o imbecil sussurrar: “Eis aqui o novo Bruxo do Cosme Velho”.

Além de aqui escrevinhar, tenho um trabalho. Como todos que a saúde permite deveriam ter até que os permitisse ócio digno. O meu labor foi agora descoberto por comentarista Júnior que, ao sugerir alerta para esta CartaCapital, provavelmente me imagina vivendo em assentamento, à espera de posse pelo Incra.

Sim, há quarenta anos vendo minha mais valia a empresas do agronegócio. No passado, como empregado; hoje em dia, como consultor. Nunca, porém, misturei interesses dos negócios com as posições explícitas em meus textos.

No trajeto, defendi todas as causas que promovessem a inserção do trabalhador rural na dinâmica capitalista, inclusive formas modernas de reforma agrária, com distribuição de terras, mas também agregação de apoios técnico, financeiro e de gestão. Atestam isso todos os meus textos já publicados.

Da mesma forma, enxerguei a importância de o País se desenvolver com a agropecuária, e nela se tornar um dos principais atores do planeta, pois dotado de extensa área agricultável, clima subtropical, recursos naturais e campesinos vocacionados.

Tardiamente industrializado e, historicamente, desobediente na tarefa de realizar inovações tecnológicas superiores às do hemisfério norte, por que não fazê-la sair para além da porteira da fazenda e construir indústrias, tecnologia e gerar emprego e renda, beneficiando a todos os setores da economia e, se bem distribuídos, fazê-los escorregar a todos cidadãos?

Sou, assim, uma Inezita, que, urbano, decidiu amasiar-se com o rural. Hoje em dia, carrego a sina do velho marinheiro, levo o barco devagar, mas em cada porto sempre encontro um novo amor.

Lembro-me de um deles. Em setembro de 1992, após um dia de campo, em Tatuí (SP), apresentando com agrônomos da empresa os resultados de experimentos aos agricultores da região, fiquei sabendo que naquela noite, no teatro da cidade, haveria um show com Renato Teixeira e a dupla Pena Branca e Xavantinho.

Vocês perderiam? Certamente, não. Fui. Para nunca mais esquecer.

Dia desses, num sarau caipira, que apesar dos tempos hodiernos ainda existe, cruzei com o Renato, que me informou que aquele show foi gravado para CD. Sobre YouTube, MP3, Andróide, Blade Runner ou Transformer, não fui informado, mas o CD encontrei com um amigo.

Pude, então, entender o motivo de nunca ter abandonado essas Andanças Capitais.

Prestem atenção

Cansados das elegias em folhas e telas cotidianas sobre as crises política, econômica, social, cultural, hidrográfica, de falta de vergonha, e da iminente invasão de drones venezuelanos no País?

Saibam: colheita terminando e safrinha sendo plantada, o ministério de Kátia Abreu prevê maior ainda o recorde no Valor Bruto da Produção, safra 2014/15: R$ 479,1 bilhões.

Mais: o porto de Itaqui, no Maranhão, fez o primeiro embarque de soja para o exterior. As saídas de grãos em portos localizados na Região Norte, sobretudo depois de terminados os acessos bimodais, com ferrovias e hidrovias, aumentará sobremaneira a competitividade brasileira.

Mil desculpas: não se trata de defesa, mas de fatos.