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Terceirização, mais uma palavra

por Alfredo Assumpção publicado 27/04/2015 19h07
Ter empresas especializadas em recrutamento é altamente vantajoso para todas as partes
Arquivo ABr
Indústria

A empresa contratante de mão de obra terceirizada poderá focar no seu negócio, quando melhorará sua produtividade e aumentará a lucratividade

Trabalho com Recursos Humanos desde 1970, contabilizando 45 anos atuando e observando a evolução de nossas relações trabalhistas no Brasil. Nos anos de 1970, não havia mão de obra temporária, então trabalhávamos com mão de obra sazonal.

Trabalhei numa empresa que tinha produtos demandados apenas numa época do ano. Desta forma, dois terços dos recursos humanos da empresa (mão-de-obra para produção e para manutenção) eram constituídos de mão de obra sazonal. Como recrutador da empresa, admitia cerca de mil funcionários por ano, para demiti-los em seguida, uma vez terminada a fase de produção ou de manutenção.

Como esta empresa, encontramos cidades e/ou regiões onde a economia gira em torno de eventos, feiras, turismo ou algo que o valha, onde sempre se necessita recrutar mão de obra para atender determinada demanda naquele determinado momento. Vamos nos lembrar de que vivíamos os anos de 1970, quando o País crescia a taxas médias de 10% ao ano. Um crescimento compatível ao chinês de agora.

Sofríamos terrivelmente pela falta de pessoas capazes. Era um leilão absurdo de mão-de-obra. Lembro-me de que em uma semana admiti 126 pessoas para perdê-las no mesmo mês. E eu não tinha como recorrer a uma empresa especializada em mão de obra terceirizada. Se não tínhamos nem a lei de “partimes”, imagine a lei sobre “terceirizados”, pauta somente agora no congresso nacional. Importante lembrar de que atualmente temos algo próximo de 12 milhões de brasileiros sendo terceirizados no país sem respaldo legal.

O Brasil mudou muito desde então. E o mundo inteiro também mudou e sempre na nossa frente. Nossas leis e as leis mundiais evoluíram, em especial nos países desenvolvidos, os tais chamados de primeiro mundo. Nesses países encontram-se empresas especializadas em mão-de-obra terceirizada. E aqui vou trazer à tona alguns números essenciais para tornarmos interessante e útil nossa conversa.

O mercado de seleção consultiva de executivos (cobra na frente parte dos honorários) fatura no globo algo próximo de US$ 15 bilhões. Se considerarmos todo o tipo de recrutamento, incluindo os “Contractors” e o “intering management” (mão de obra terceirizada) vamos chegar a uma cifra próxima de US$ 200 bilhões por ano, somente com honorários pagos às empresas especializadas em recrutamento.

Se levarmos em conta ainda o custo das empresas clientes (quem paga os honorários) em âmbito global com suas áreas de recrutamento e seleção (custo de pessoas, instalações, processos, tecnologia etc.) o custo total com recrutamento de pessoas chega a US$ 2 trilhões anuais. Isso equivale ao volume de negócios que gira no globo relacionado à indústria bélica. Então, falamos que vivenciamos neste início de século uma terceira guerra mundial por talentos.  

Chegamos ao âmago da questão. Ter empresas especializadas em recrutamento seja para mão de obra efetiva (aquela que será registrada na empresa cliente) em todos os níveis ou para mão de obra terceirizada (temporária – paga por projeto ou por atividade específica), também em todos os níveis, é altamente vantajoso para todas as partes.

A empresa especializada em recrutamento ou alocação de mão de obra terceirizada cumpre com todas suas obrigações legais. Sabe, porque se especializa nesse tipo de negócio, onde estão os melhores profissionais e sua disponibilidade. Então, rapidamente (tem até cadastro para tal) consegue suprir a demanda de uma empresa cliente com as pessoas necessárias para operacionalizar uma determinada estratégia de negócios.

O trabalhador não precisa ficar como um louco correndo atrás de emprego. O emprego o procurará e o encontrará, onde quer que esteja. A empresa cliente tem seu trabalhador colaborador a tempo e a hora. Tem condições de se planejar com antecedência sabendo que poderá cumprir com eficácia o seu cronograma de produção para operacionalizar as estratégias de negócios traçadas.

O trabalhador que participar de projetos de mão de obra terceirizada não é visto como instável no emprego, podendo concorrer sem receios para qualquer posição em aberto em qualquer empresa. O trabalhador sendo alocado como mão de obra terceirizada tem seu desempenho acompanhado pela empresa cliente que poderá ou não vir a contratá-lo para posições fixas na empresa. Se tiver um bom desempenho, sem dúvidas terá seu nome lembrado para convites futuros para posições fixas na empresa.

A empresa contratante de mão de obra terceirizada poderá focar no seu negócio, quando melhorará sua produtividade e aumentará a lucratividade, revertendo para todos os colaboradores boa parte da lucratividade adicional, na forma de aumentos salariais ou melhorias de benefícios. Este é o caminho normal de quem joga o jogo Ganha X Ganha (eu ganho, você ganha e todos ganham). Ganha a empresa, ganha o trabalhador e ganha o país, porque tem sua economia rodando a pleno vapor.

Ficaria aqui horas falando das grandes vantagens para o Brasil em evoluir para estágio de país desenvolvido neste quesito. Se lá fora descobriram as grandes vantagens em ter todos como cúmplices nesta relação Trabalho X Capital, então também será bom para o Brasil. Afinal, são US$ 200 bilhões pagos em honorários anualmente para se ter o melhor talento. O mundo não estaria investindo todo este dinheiro se não fosse ótimo para todos. Quem tem o melhor talento consegue ter o melhor produto ou o melhor serviço atendendo com melhor preço a demanda da sociedade.

* Alfredo Assumpção é Chairman & Partner da Fesap, holding das empresas Fesa, Asap Recruiters e Fesa Advisory.