Você está aqui: Página Inicial / Economia / Temor de crise na China ignora a força da urbanização e da economia

Economia

Temor de crise na China ignora a força da urbanização e da economia

por Carlos Drummond publicado 06/06/2014 15h53
Instabilidade é natural em um desenvolvimento rápido e em grande escala
Reprodução
china.jpg

Hotel no país, de trinta andares, foi erguido em quinze dias

A redução do ritmo de crescimento da China, de 9% ao ano para 6% a 7% costuma ser interpretada por economistas, analistas de investimento e jornalistas ocidentais como a iminência de uma crise. A preocupação é compreensível, dada a importância do país na dinâmica mundial. Mas não tem base real, a julgar pela avaliação de dois professores da Universidade de Pequim, Jeffrey Towson e Jonathan Woetzel. A instabilidade e o caos são parte natural de um desenvolvimento rápido e em grande escala. Esperar nessas condições um crescimento estável é “ridículo” e preocupar-se quanto a volatilidade do processo “significa desconhecer as especificidades do país”. No livro The One Hour China, identificam seis megatendências poderosas alimentadoras do crescimento econômico chinês:

  • Urbanização acelerada
  • Escala gigantesca da manufatura
  • Crescimento do mercado interno
  • Dinheiro abundante
  • População com elevada capacidade de aprendizagem
  • Uma internet única

    Towson, sócio sênior da consultoria McKinsey & Company e fundador do escritório da empresa em Xangai em 1994 e Woetzel, ex-consultor do príncipe saudita Alwaleed Bin Talal Alsaud e investidor em mercados emergentes, comparam as seis forças a “placas tectônicas”. Interpretá-las ajuda a entender “os movimentos na superfície e até a prevê-los”.
  • A China testemunha hoje a maior migração humana da História. Multidões do interior confluem para as cidades. Foram 300 milhões nas três últimas décadas e deverão totalizar 350 milhões nos próximos 30 anos, prevê a McKinsey. O fenômeno acrescenta em média 18,5 milhões de pessoas às cidades a cada 12 meses, o equivalente a uma Holanda.  O processo começou nos ano 1980, quando o governo reduziu os controles da migração rural.

    O deslocamento muda as cidades, requer infraestrutura, tem impacto ambiental e demanda recursos. Movimenta as indústrias de construção, moveleira, de eletrodomésticos e de transportes. “Como nos Estados Unidos dos anos 1800, esse movimento para as cidades representa a busca de uma vida melhor”, observam os professores. Entre as seis megatendências, consideram o urbanismo a mais importante.

    De 1980 a 2012, a população chinesa cresceu em aproximadamente 400 milhões, mais do que o total de habitantes dos Estados Unidos. Esse aumento elevou o número de moradores das cidades para 700 milhões e a taxa de urbanização para 50%, ainda muito inferior às de 70% a 80% do Japão, Estados Unidos e Europa. “Há um longo caminho pela frente”, dizem Towson e Woetzel.

    Em 2030, as cidades deverão somar mais de um bilhão de habitantes, aponta um estudo amplamente divulgado do McKinsey Global Institute, do grupo do mesmo nome. Nesse momento, a China terá uma população superior à das Américas.

    Já há 160 cidades chinesas com mais de um milhão de habitantes. Na Europa, existem 35. A conurbação criou 11 ultramegalópoles com 60 milhões de habitantes cada uma, em média.  Mas ao contrário do ocorrido na América Latina, a urbanização chinesa foi acompanhada de um aumento de renda. Um total de 350 milhões de chineses saiu da pobreza desde 1990. A capacidade de consumo per capita subiu 300% no mesmo período.

    Nas cidades, a massa humana necessita de apartamentos, ônibus, metrôs, água e eletricidade, policiamento, parques, rodovias e tratamento de esgoto.  A base industrial gigantesca da China, além de fornecer parte de quase todos os produtos encontrados nas lojas do mundo, viabiliza a urbanização acelerada com a pré-fabricação de conjuntos para as edificações. Um exemplo extremo da eficácia desse método construtivo é a construção de um hotel de 30 andares em 15 dias na província de Hunan, em 2011, pelo Broad Group, de Changsha:

    Leia na revista CartaCapital detalhes das outras cinco megatendências:

    •          Huawei, a empresa chinesa que expulsou a Siemens do primeiro lugar mundial em equipamentos telefônicos

    •          Porque a Ásia concentrará a maior parte da classe média do mundo em um futuro próximo

    •          Quanto dinheiro há nos bancos chineses

    •          A educação começa aos dois anos de idade, tem tutores e aulas aos sábados

    •          Porque a ecologia da internet da China é diferente da Ocidental e vende muito mais