Você está aqui: Página Inicial / Economia / Sob fogo cerrado

Economia

Petróleo

Sob fogo cerrado

por André Siqueira — publicado 20/08/2010 01h09, última modificação 20/08/2010 16h16
Entre a especulação financeira e a disputa eleitoral, a Petrobras perde 80 bilhões de reais em valor de mercado, enquanto aguarda a capitalização
seu_pais_petrobras1

Dila orientou governadores a buscarem consenso entre estados "produtores" e "não produtores"

Entre a especulação financeira e a disputa eleitoral, a Petrobras perde 80 bilhões de reais em valor de mercado, enquanto aguarda a capitalização

Perto de realizar a maior oferta de ações do mundo, a Petrobras assiste a uma desvalorização de suas ações em escala igualmente superlativa, à mercê da boataria que envolve o processo de capitalização da companhia e a sua  participação na exploração das reservas petrolíferas do pré-sal. Por trás da cortina de especulações, vislumbram-se os interesses de acionistas, investidores e multinacionais, além do incontornável debate eleitoral, uma vez que governo e oposição defendem visões radicalmente diferentes sobre os rumos da maior estatal brasileira. Além disso, Dilma Rousseff, líder nas pesquisas, tem fortes ligações com a empresa.

A capitalização da Petrobras envolve um aporte de recursos do governo, sob a modalidade de cessão onerosa de 5 bilhões de barris das reservas da União, e de investidores privados. No total, estima-se que a operação poderá alcançar 60 bilhões de reais. Numa comparação recente, a oferta inicial de ações do  AgBank, o banco agrícola da China, bateu o recorde mundial ao arrecadar o equivalente a 39 bilhões de reais.

Prevista para ocorrer até o fim de julho, a operação teve de ser adiada, por conta de atrasos na certificação do petróleo a ser cedido à Petrobras. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) contratou a empresa Gaffney, Cline & Associates para determinar o volume, a qualidade e a localização das reservas da União. Esses dados são fundamentais para determinar o preço dos barris usados na capitalização. Quanto maior o valor, melhor para o governo, que  poderá assumir posições maiores na companhia com a mesma quantidade de barris.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 610, já nas bancas.