Você está aqui: Página Inicial / Economia / Quem quer dinheiro?

Economia

Finanças

Quem quer dinheiro?

por Gerson Freitas Jr — publicado 27/10/2010 10h00, última modificação 05/11/2010 16h28
A boa fase da economia nacional e a sobra de recursos elevam a captação das empresas no exterior
materia_2

A Vale conseguiu levantar dinheiro com facilidade este ano

A boa fase da economia nacional e a sobra de recursos elevam a captação das empresas no exterior

O Brasil nunca foi tão beneficiado por uma crise econômica mundial. Basta dizer que, dois anos após a quebra do Lehman Brothers e o estouro da bolha imobiliária norte-americana, a oferta de dólares para financiar as companhias nacionais é a maior da história. Entre janeiro e setembro, as empresas do País captaram mais de 32 bilhões de dólares com a emissão de bônus em moeda estrangeira. O volume supera o recorde de 26,2 bilhões de dólares, registrado em 2009. Até o fim do ano, as companhias terão absorvido mais de 40 bilhões em financiamentos, segundo diferentes previsões.

O ritmo das captações intensificou-se em setembro. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o País colocou no mercado internacional mais de 8 bilhões de  dólares em títulos da dívida privada nesse período. Vale, CSN, Gerdau, Telemar e Itaú Unibanco tomaram mais de 1 bilhão de dólares cada. A Suzano Papel e Celulose emitiu notas no valor de 650 milhões de dólares, acompanhada por Odebrecht Finance (500 milhões) e Banco Cruzeiro do Sul (400 milhões). O frigorífico JBS Friboi, que havia captado 700 milhões de dólares em julho, emitiu mais 200 milhões em notas no mês passado.

Eduardo Borges, diretor de Mercado de Capitais do Banco Santander, afirma que a maior parte dos papéis emitidos pelas empresas brasileiras vence em dez anos – prazo mais aceito pelos grandes fundos norte-americanos – e oferece juros que oscilam entre 5,5% e 9,5% ao ano. De modo geral, o dinheiro é usado para refinanciar dívidas passadas. “As empresas estão aproveitando o cenário favorável para fazer gestão de passivos, realinhar suas obrigações com taxas de juro mais baixas e adiantar recursos para investimentos no ano que vem”, afirma o executivo.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 621, já nas bancas.