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Qual é o verdadeiro valor do Twitter?

por The Observer — publicado 28/11/2013 05h25, última modificação 28/11/2013 06h21
Não pergunte a um economista. Os que medem o PIB precisam encontrar uma maneira de avaliar a contribuição da mídia social. Por John Naughton
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Por John Naughton

Uma economia nacional é um sistema extremamente complexo. No entanto, comprimimos toda essa complexidade em uma única medida, e então nos concentramos obsessivamente nela. Se você quiser uma metáfora disso, pense em King Kong passando a maior parte do tempo olhando para a cabeça de um alfinete, preocupado se ele está se movendo ou não. Esse alfinete é o PIB ou, para dar seu nome completo, Produto Interno Bruto. Ele é definido como "a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país ao longo do tempo, sem contar em dobro os produtos usados em outra produção. É uma medida abrangente, que cobre a produção de bens e serviços de consumo, incluindo os serviços do governo, e bens de investimento". Pelo movimento desse número ao longo do tempo, temos ideia sobre a economia, se está contraindo ou expandindo, e é por isso que os governos do mundo inteiro neste momento, especialmente no Reino Unido, dedicam todas as horas de vigília a monitorá-lo. Se ele subir 0,3%, são gritos de alegria em Whitehall; se cair 0,3%, Cameron e Osborne começam a pensar na vida pós-governo.

Desnecessário dizer que isso é absurdo. Na verdade, é absurdo desde que o PIB foi inventado em 1934 pelo economista Simon Kuznets. A medida foi alvo de ridicularização e críticas desde que posso me lembrar. Se um pai ou uma mãe decide ficar em casa para cuidar de seus filhos, o "trabalho" envolvido (produzir crianças estáveis e felizes?) não é contado no PIB. Mas se o mesmo progenitor empregar uma babá, sim. As pessoas indicaram que um PIB ascendente pode ser simplesmente um indício de quão rapidamente estamos promovendo o aquecimento global, mais que aumentando o bem-estar social: um veículo esportivo-utilitário que bebe combustível e emite muitos gases contribui para o PIB na mesma medida que mil bicicletas. E assim por diante.

Decidir que a saúde de uma economia nacional pode ser medida por um único número é tão idiota quanto pensar que uma única medida de "inteligência" (o QI) pode resumir a capacidade e o potencial de um indivíduo. Como indicou Howard Gardner muitos anos atrás, existem muitos tipos diferentes de inteligência, e cada pessoa ocupa um ponto diferente nesse espaço multidimensional. De maneira semelhante, a saúde de uma economia precisa ser medida de acordo com vários eixos. Mas parecemos estar empacados com o PIB porque é a única coisa que os economistas sabem calibrar.

Às antigas contradições dessa medição, a internet veio agora acrescentar uma realmente intrigante. O mundo da "produção" tradicional, em que indústrias e empresas produziam bens e serviços e nesse processo criavam valor que podia ser medido e incluído no PIB, foi ampliado por um universo paralelo em que existe um grande volume de atividade, cuja maior parte é invisível para os contadores de ervilhas que computam o PIB.

Vejam o Twitter. Ele tem mais de 230 milhões de usuários ativos, 100 milhões dos quais usam o serviço diariamente para enviar 500 milhões de tuítes. Desde a fundação do serviço, esses usuários despacharam mais de 300 bilhões de mensagens. E em troca por esse serviço maravilhoso eles pagaram ao Twitter exatamente 0 reais.

Agora, você pode refutar a ideia de tuítes serem "produtos", mas eles são o que transformou o Twitter em uma companhia que aparentemente vale 24 bilhões de dólares. Portanto, existe aí um valor econômico, em algum lugar.

"Mas", como escreve o colunista James Surowiecki na New Yorker, "no que diz respeito ao PIB, eles quase não existem. O economista Erik Brynjolfsson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, indica que, conforme as estatísticas do governo, o 'setor de informação' da economia americana, que inclui publicação, software, serviços de dados e telecomunicações, quase não cresceu desde o final da década de 1980, apesar de termos visto uma explosão na quantidade de informação e dados que os indivíduos e as empresas consomem."

Uma maneira de pensar nisso vem do reconhecimento de que atenção se tornou um recurso realmente escasso em um mundo de sobrecarga de informação. Usando a percepção de que mesmo quando as pessoas não pagam dinheiro elas devem pagar com "atenção", o professor Brynjolfsson e seus colegas do MIT computaram uma estimativa da mudança anual do valor de aplicações online que têm preços muito baixos ou zero. A ideia é medir quanto tempo passamos online (sob a suposição de que tempo é dinheiro) e então convertê-lo em dinheiro. Eles concluíram que no período de 2002 a 2011 o aumento no superávit de consumo criado por serviços gratuitos na internet foi superior a 30 bilhões de dólares por ano só nos Estados Unidos, o que representa cerca de 0,23% do PIB anual médio. Diante da escala do envolvimento das pessoas com a internet, parece pouco para mim. Mas é um início. E – quem sabe? – quando finalmente encontrarmos uma maneira de medir o valor da atividade online, poderemos descobrir que a economia vem crescendo muito bem, afinal.

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