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Produção rural

Preconceitos contra a agropecuária

por Rui Daher publicado 07/06/2013 12h04, última modificação 07/06/2013 12h29
Em muita coisa, no entanto, o agronegócio brasileiro está evoluindo. O olhar da iniciativa privada para a agricultura familiar é um exemplo
Roosewelt Pinheiro/Abr
agronegócio soja

Colheita de soja em fazenda localizada no municípiomato-grossense de Rondonópolis, um dos principais polos produtivos do País

Não é de hoje que no Brasil vai-se atrás de vilanias agropecuárias. Talvez uma rebeldia adolescente contra um atavismo que ainda nos incomoda. Os “primários”, diria eu.

Outra possibilidade: o magistral Tom Jobim (1927-1994) dizia que aqui fazer sucesso é considerado ofensa pessoal. Pois é. Prós e contras não medidos, ainda assim, o Brasil é de fato uma potência mundial no setor.

Ainda que inevitável, pois aí o que conta é muita grana, há também uma boa ajuda da publicidade em folhas e telas cotidianas.

Algum dos presentes já viu comercial na TV com o senhor Yoshinori mostrando o cuidado com que produz os pêssegos Hayashi, em Salesópolis (SP)? Ou do senhor Otacílio informando as etapas até atingir o frescor dos repolhos Trentini? Alguma vez você enfrentou três páginas em jornais e revistas dando destaque às saborosas proteínas Itiquira, pastoreadas e oferecidas em churrasco pelo pecuarista Hermínio da Rocha, como fossem um reluzente e tecnológico Hyundai? Penso que não.

Já de grandes supermercados, cadeias de lojas varejistas, carros, bancos, empreendimentos imobiliários, fabricantes de cervejas, serviços de turismo, penso que muito.

Não colocaria os meus botões a conversar com os de quem aqui me acolhe. Seu poder inquisitivo é muito maior do que o dos meus. Mas me pergunto: quando tiverem que encontrar um vilão para o terrorismo inflacionário a quem se dirigirão os assombrados olhares de William e Patrícia?

Pode parecer conspiratório, mas tenho percebido poupados os reajustes de preços em setores da economia que compõem o grosso das verbas publicitárias em folhas e telas cotidianas.

Falta-me ver uma estressada senhorinha reclamando das taxas de serviços cobradas pelos bancos. A evolução nos últimos 12 meses de peças de vestuário sabendo-se dos preços das fibras em queda.

O senhor aí, engravatado, entendeu por que pagou mais pela passagem aérea do Rio a São Paulo, comprada de hoje para amanhã, do que a de seu vizinho para Amsterdã? Ao ver o preço dos pneus preferiu recauchutá-los? Em viagens, tem se hospedado em hotéis de terceira categoria com preços de monstrengos que fazem a sensação de Dubai?

Preconceitos na direção da agropecuária brasileira permeiam a sociedade, o que não é bom nem justo. Acabam batendo em quem não merece: o produtor rural.

Rótulos foram sendo criados e mantidos não importando quanto desgastados estão.

O agronegócio não é diferente do minério de ferro que virou parafuso. Nem mais perverso. É apenas outro estágio da produção primária. Algo que deveríamos procurar mais.

Ruralistas não são apenas aqueles que ficam nas bancadas do Congresso, federações e confederações, aprovando interesses que lhes convêm. São milhões de homens e mulheres que plantam o que comemos, vestimos e nos faz movimentar.

Poderia dizer que entre nós, contemporâneos, esse preconceito nasceu com o salto de uma tipologia de Jeca Tatu direto para a de um usineiro, sojicultor ou pecuarista, abrindo milhões de hectares e o capital de suas “agriculturas empresariais”, sem mediação das ciências sociais.

Da carroça puxada a jumento ao último modelo de SUV (veículo utilitário esportivo, na sigla em inglês), sem passar pela alquebrada Kombi. O mesmo que se diz sobre nossa evolução da barbárie à civilização.

Não é bem assim. Em muita coisa o agronegócio brasileiro está evoluindo e num sentido bem mais civilizado.

Um exemplo? A disponibilidade de recursos governamentais e do olhar da iniciativa privada para a agricultura familiar. São pontos fundamentais.

Na próxima semana.