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PIB cai 1,7% no terceiro trimestre

por Redação — publicado 01/12/2015 10h53
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda do PIB chega a 4,5%
David Alves / Palácio Piratini
Indústria

O PIB da indústria caiu 6,7% no trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil fechou o terceiro trimestre do ano com queda de 1,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Os dados das Contas Nacionais foram divulgados nesta terça-feira 1º pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam a maior retração do PIB em terceiros trimestres desde o início da série histórica, em 1996.

Os dados do IBGE mostram que o consumo das famílias caiu 1,5% e o do governo, 0,3%. Em valores correntes, o PIB alcançou 1,481 trilhão de reais, sendo 1,267 trilhão de reais referentes ao Valor Adicionado e 214,2 bilhões de reais aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2015 foi de 18,1% do PIB, inferior à do mesmo período de 2014 (20,2%). A taxa de poupança foi de 15% no terceiro trimestre de 2015 (ante 17,2% no mesmo período de 2014).

Na análise dos subsetores da economia, a agropecuária teve retração de 2,4% no período, a indústria caiu 1,3% e o setor de serviços registrou queda de 1%. Na indústria, a maior queda se deu na Indústria de Transformação: retração de 3,1%. Construção civil (-0,5%) e Extrativa mineral (-0,2%) também registraram resultado negativo no terceiro trimestre do ano. Já a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana apresentou crescimento de 1,1%.

Nos Serviços, Administração, saúde e educação pública (0,8%) e Intermediação financeira e seguros (0,3%) apresentaram resultados positivos. As demais atividades sofreram retração em relação ao trimestre imediatamente anterior: Comércio (-2,4%), Outros serviços (-1,8%), Transporte, armazenagem e correio (-1,5%), Serviços de informação (-0,5%) e Atividades imobiliárias (-0,1%).

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda do PIB chega a 4,5%. 

A Agropecuária recuou 2% nessa comparação. Este resultado pode ser explicado pelo desempenho negativo de alguns produtos que possuem safra relevante no terceiro trimestre (café, cana, laranja, algodão e trigo), parcialmente compensado por ganhos de produtividade nas lavouras de cana, algodão e trigo. A Pecuária e da Silvicultura e extração vegetal também tiveram um fraco desempenho no terceiro trimestre.

A Indústria caiu 6,7%. A Indústria de Transformação recuou 11,3%, influenciada pelo decréscimo da produção de máquinas e equipamentos; da indústria automotiva; produtos eletroeletrônicos e equipamentos de informática; produtos de borracha e de material plástico; produtos de metal; têxteis; e produtos farmoquímicos e farmacêuticos.

A Construção civil também recuou (-6,3%). Já a Extrativa Mineral cresceu 4,2% em relação ao terceiro trimestre de 2014, puxada tanto pelo aumento da extração de petróleo e gás natural e pela extração de minérios ferrosos. Já a atividade Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana teve expansão de 1,5%.

O Consumo das Famílias (-4,5%) teve a terceira queda consecutiva nessa comparação, influenciada pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda, no período. Já a Formação Bruta de Capital Fixo caiu 15,0% no terceiro trimestre de 2015, a maior da série histórica iniciada em 1996. O recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital e, ainda, pelo desempenho negativo da construção civil. O Consumo do Governo apresentou variação negativa de 0,4%.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram expansão de 1,1%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram em 20,0%, ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 56% registrada no período.

O PIB acumulado do ano recuou 3,2% em relação a igual período de 2014. Foi a maior queda acumulada no período de janeiro a setembro desde o início da série histórica iniciada em 1996. Nesta base de comparação, destaque para o desempenho da Agropecuária, que cresceu 2,1%. Já a Indústria e os Serviços caíram, respectivamente, 5,6% e 2,1%.

Na análise da demanda interna, destaca-se a queda de 12,7% da Formação Bruta de Capital Fixo. O Consumo das Famílias (-3,0%) e o Consumo do Governo (-0,4%) também acumulam queda no ano. No setor externo, as Importações de Bens e Serviços apresentaram uma queda de 12,4%, enquanto que as Exportações de Bens e Serviços cresceram 4,0%.

O PIB acumulado nos quatro últimos trimestres teve queda de 2,5%. Enquanto a Agropecuária cresceu 2,1%, Indústria (-4,7%) e Serviços (-1,6%) tiveram queda.

Na demanda interna, os resultados foram negativos: Formação Bruta de Capital Fixo (-11,2%), Consumo das Famílias (-1,8%) e Consumo do Governo (-0,4%). No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços mantiveram-se praticamente estáveis (0,1%), enquanto que as Importações de Bens e Serviços recuaram 10,4%.

*Com informações da Agência Brasil e do IBGE

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