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Desaceleração da China preocupa em 2014

por The Observer — publicado 08/01/2014 06h04, última modificação 08/01/2014 06h27
Crescimento mais lento na manufatura chinesa poderá ser apenas o início de uma nova ameaça econômica global, advertiu o financista George Soros
AFP
China Fuleco

Imagem de segunda-feira 6 mostra trabalhadora chinesa montando exemplares de Fuleco, o mascote da Copa do Mundo de 2014, em Tianchang

Por Phillip Inman e Katie Allen

George Soros está preocupado com a China, e devemos tomar nota disso. O chefe de fundo hedge que construiu sua fortuna a apostar nos mercados monetários do mundo teme que 20 anos de crescimento rápido estejam prestes a perder o gás.

Soros, que ficou famoso por apostar contra a força da libra esterlina no mecanismo cambial europeu e ganhou durante a crise da Quarta-Feira Negra de 1992, será uma figura proeminente no Fórum Econômico Mundial em Davos este mês, quando políticos e empresários discutirão formas de promover o crescimento global.

Um rápido olhar no mercado de ações de Londres mostra o impacto da desaceleração da produção industrial chinesa no mês passado – e tememos que esta se prolongue. O índice FTSE 100 caiu 30 pontos desde o feriado de ano novo. Ele inclui mineradoras como Rio Tinto e Anglo American, ambas com fortes ligações com a economia chinesa. Sinais de que a segunda economia do mundo está desacelerando fizeram o preço de muitas matérias-primas cair e ajudaram a romper um período positivo de 12 anos no preço do ouro. (A China consome cerca de metade do minério de ferro e do carvão do mundo e compra mais de um terço de seus metais básicos.) A medida de Pequim de reduzir as importações de milho fez do cereal a matéria-prima de pior desempenho no ano passado, com queda de quase 40%.

As previsões de que a economia chinesa perdeu o ímpeto no último trimestre do ano passado foram salientadas por números que mostram que o setor manufatureiro cresceu em um ritmo mais lento em dezembro, enquanto as encomendas de exportações diminuíam. Os números oficiais podem dizer o que as autoridades chinesas quiserem, mas há um consenso de que a economia está sofrendo uma desaceleração em longo prazo.

Segundo Mark Williams, do grupo de pensadores Capital Economics, a notícia de que a China tem uma montanha de dívida pública de 3 trilhões de dólares alimentaria o temor: "A atividade entre grandes firmas diminuiu de novo e provavelmente esfriará ainda mais enquanto os criadores de políticas contêm a dívida pública. Portanto, esperamos que a economia chinesa desacelere novamente este ano".

Soros afirma redondamente que três anos de preocupação sobre a Zona do Euro deverão dar lugar a preocupações sobre a China. Ele não acredita necessariamente que se encontrou uma solução para as montanhas de dívida de partes da Europa; simplesmente pensa que o problema do euro atingiu um platô, enquanto a China poderia estar em declínio.

"A maior incerteza não é o euro, mas a China", disse ele. "O modelo de crescimento responsável por sua ascensão perdeu o gás."

Até recentemente, a China prosperou restringindo os gastos das famílias, efetivamente obrigando-as a poupar. As poupanças são canalizadas para a produção industrial.

As reservas cambiais formadas nos anos de ascensão foram principalmente investidas na expansão internacional – na África e em partes da Ásia antes negligenciadas por um Japão indiferente.

A crise financeira mostrou a fraqueza da ideia de ser a oficina do mundo, quando esse mundo não podia mais comprar. Para manter as engrenagens a girar, as autoridades locais e outros órgãos do governo foram autorizados a pedir empréstimos.

No ano passado a liderança chinesa disse reconhecer que o plano tinha defeitos. Mais: a dívida do setor público precisava ser cortada. Mas quando a economia desacelerou drasticamente depois que os empréstimos foram contidos, a política foi rapidamente revertida. A ascensão subsequente parece passageira, mesmo que a China tenha bilhões de dólares em reservas cambiais para atenuar qualquer golpe econômico.

"A liderança da China tinha razão ao dar precedência ao crescimento econômico sobre as reformas estruturais, porque estas, combinadas com a austeridade fiscal, empurram as economias para uma queda livre deflacionária", disse Soros. "Mas existe uma contradição não resolvida nas atuais políticas chinesas: a reativação das fornalhas também reativa o crescimento da dívida, que não pode ser sustentado por muito mais que alguns anos."

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