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O silêncio da Petrobras no caso Pasadena

por Luis Nassif publicado 02/04/2014 11h34
Sem informações oficiais, virou papel passado a versão de que a Astra adquiriu a Pasadena por US$ 42,5 milhões e revendeu para a empresa brasileira por US$ 1,2 bilhão

É incompreensível a demora da Petrobras em divulgar números da Pasadena.

Sem informações oficiais, virou papel passado a versão de que a Astra adquiriu a Pasadena por US$ 42,5 milhões e revendeu para a Petrobras por US$ 1,2 bilhão.

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Alguns pontos centrais sobre a operação, mas que carecem da confirmação oficial da Petrobras.

  • A Astra pagou US$ 42,5 milhões pela Pasadena mas assumiu as dívidas fiscais e fez investimentos, antes de vender 50% para a Petrobras.

  • Qual o valor dos dois fatores? Comenta-se que a dívida fiscal ascenderia a US$ 200 milhões e os investimentos chegariam a US$ 84 milhões. Assim, o desembolso total da Astra teria sido de US$ 322,5 milhões. Pelos 50% iniciais da refinaria, a Petrobras pagou US$ 190 milhões – um ágio de 18% sobre o investimento inicial da Astra. O lucro da Astra teria sido de US$ 28,8 milhões, adequado para remunerar o trabalho prévio.

  • O que a Petrobras pagou efetivamente pela refinaria foi US$ 190 milhões pelos primeiros 50% e US$ 296 milhões pela segunda metade. No total, US$ 486 milhões. O restante corresponde a estoques existentes de petróleo – que foram refinados e vendidos – e custas judiciais. Houve um lucro de US$ 163 milhões para a Astra, mas ainda assim longe dos US$ 1,1 bilhão divulgado pelas denúncias.

  • Desse montante, há que se abater o lucro que a refinaria deu no período e o seu valor atual. E também os investimentos feitos pela Petrobras. Sobre isso escrevo mais adiante.

  • Havia duas cláusulas negociadas com a Astra: a put (pela qual um dos sócios poderia oferecer sua parte ao outro) e a Marlim (que assegurava à Astra 6,9% de rentabilidade). Ao contrário do que foi divulgado – por mim mesmo – a cláusula Marlim jamais foi acionada, porque só incidiria sobre os novos investimentos feitos pela Astra. E o motivo da disputa entre os sócios foi a negativa dos belgas de investir na refinaria.

  • Na ação inicial contra a Petrobras, os belgas acionaram a cláusula put e queriam acionar a Marlim. O valor chegaria a US$ 320 milhões. A Justiça do Texas negou a cláusula Marlim. Com isso o valor caiu para US$ 296 milhões. Mas a Petrobras pagou caro, US$ 190 milhões, em custas judiciais.

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    O que levou a Petrobras aos Estados Unidos foi a super-oferta de petróleo pesado, na ocasião, que derrubou seu preço em relação ao petróleo leve. Com isso, refinarias que estivessem preparadas para refinar petróleo pesado teriam uma boa margem de rentabilidade – referente à rentabilidade normal mais o diferencial de preços do pesado em relação ao leve.

    O mercado mudou totalmente com a crise de 2007 e com o fenômeno do óleo e do gás de xisto. Inverteram-se os preços e o óleo leve passou a ser mais barato que o pesado.

    Com isso, a Petrobras decidiu não mais investir na reestruturação da refinaria e ainda obteve ganho de rentabilidade, quando o barril de petróleo leve caiu para US$ 85/90 e o de refinado de petróleo subiu para US$ 105/110.

    De quanto é a rentabilidade da Pasadena hoje em dia? Seguramente maior do que no momento da compra, mas a Petrobras ainda não divulgou os dados.

    Por outro lado, mesmo não investindo na reestruturação da refinaria, houve investimentos na área ambiental e outras demandadas pela refinaria. Também não se conhecem os números.

    Tudo é suposição, pela demora da Petrobras em abrir os números.

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