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Economia

O Brasil na crise

Mau desempenho da indústria torna quase nulo o PIB do 3º trimestre

por Clara Roman — publicado 05/12/2011 15h35, última modificação 06/06/2015 18h57
Especialista comenta que, apesar do cenário internacional pessimista, Brasil pode se apoiar no mercado interno para estimular crescimento industrial

Com uma perspectiva pessimista de crescimento, o Produto Interno Bruto (PIB) deste terceiro trimestre será divulgado na terça-feira 6 de dezembro. A previsão do Boletim Focus, publicação semanal do Banco Central, é de que o aumento seja quase nulo, devido ao mau desempenho da indústria nos últimos meses. Para o próximo ano, a estimativa é de 3,48%.

A expectativa para o crescimento da produção industrial, neste ano, diminuiu de 1,33% para 0,94%, na quinta queda consecutiva. Em 2012, a projeção passou de 3,5% para 3,46%, a quarta redução seguida. Para Maryse Farhi, pesquisadora do Instituto de Economia da Unicamp, o aumento de juros até o início do segundo semestre de 2011 e o processo de apreciação cambial fez com que a indústria nacional regredisse. Mas, enquanto a conjuntura do mercado se inverte, com a desvalorização do real frente ao dólar e a diminuição dos juros, a tendência é que produção volte a crescer no próximo ano. “Se essa taxa de câmbio permanecer, tem alguma saída”, diz ela.

O perigo, no entanto, é que, com a crise internacional, os estrangeiros busquem apoio no mercado interno brasileiro e inundem o país com seus produtos. “Aparentemente, o governo está prestando atenção”, comenta Farhi, em relação às medidas de Dilma Rousseff, que fez sucessivos aumentos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos importados no último semestre, ao mesmo tempo em que estimula o mercado interno com a diminuição das taxas sobre eletrodomésticos da “linha branca”.

De fato, Farhi acredita que a perspectiva de crescimento de 5% anunciada por Dilma Rousseff para 2012 foi exagerada. Mas o cenário, a despeito da contaminação inevitável da crise internacional, será positivo. O aumento do salário mínimo, redução dos juros e a já citada desvalorização do real causarão uma reação do mercado. “Você abre espaço para a indústria nacional atender à demanda interna”, avalia a especialista. A contaminação se dará, segundo ela, sobretudo através dos agentes, que ficarão mais receosos com as notícias que chegam do exterior, segurando o consumo.

Outra teoria que explica a redução nas vendas da indústria é de que, com o aumento do crédito na última década, a reação ao aumento das taxas de juros seja mais rápida. Assim, a eficácia para a redução da demanda é superior àquela de alguns anos atrás. “Com o crédito crescendo, as decisões de política monetária passam mais rápido pela percepção dos agentes”, afirma Farhi.

China

Enquanto as economias dos Estados Unidos e União Europeia declinam, a China permanece como incógnita. Farhi acredita que apesar da crise também ter alcançado o gigante asiático, as perspectivas de crescimento devem continuar altas no próximo ano. . Um dos principais parceiros econômicos do Brasil, sobretudo em importação de commodities, a crise na China atingiria o país em cheio.

Da mesma forma que em outros processos similares, no entanto, depois de um drástico impacto inicial, a recessão chinesa e a queda das exportações brasileiras poderiam se reverter com a desvalorização cambial do real e o consequente aumento das vendas internas. “Isso faz parte do ciclo natural, ninguém só cresce”, oferece Farhi. E completa: "Não estou vendo uma grande freada [da China]".

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