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The Observer

Draghi precisa usar a facilitação quantitativa

por The Observer — publicado 16/01/2014 02h05, última modificação 16/01/2014 02h48
Equilibrismo do presidente do Banco Central Europeu manteve o mercado calmo, mas com a deflação pairando está na hora de algo novo
Daniel Roland / AFP
Mario Draghi

Mario Draghi, presidente do BCE, durante entrevista coletiva em Frankfurt

Aproximem-se todos! Venham se emocionar enquanto Mario Draghi desafia a morte. Segurem a respiração em espanto enquanto o maestro avança oscilante pela corda-bamba. Sem rede de segurança, Draghi conseguirá chegar de um lado ao outro, lá no alto?

Sem dúvida, Draghi é um artista de classe. Houve algumas oscilações, um pouco de desafio ao desastre, algum soluço assustado da plateia, mas de alguma forma ele continuou firme. Nos últimos 18 meses, o presidente do Banco Central Europeu manteve os mercados financeiros tranquilos e ganhou tempo dos políticos europeus para destrinchar os profundos problemas estruturais da moeda única. Fez isso principalmente usando só palavras, e fez a coisa parecer fácil.

A grande pergunta para 2014 é se Draghi poderá continuar governando os mercados simplesmente usando o dom da oratória. O hoje lendário discurso do "seja o que for preciso" do verão de 2012 impediu a Itália e a Espanha de serem sugadas para a crise da dívida soberana da Zona do Euro; na semana passada, Draghi estava com a língua afiada quando disse que o BCE manteria a política frouxa pelo maior tempo possível e estava preparado para assumir uma ação mais agressiva se fosse necessário. A única consideração, notou Draghi, era que qualquer reação planejada teria de ser legal sob a constituição do BCE.

É fácil ver por que Draghi sentiu necessidade de falar. Não é apenas que a recuperação da Zona do Euro continue virtualmente indetectável; é sobretudo que uma combinação de alto desemprego, capacidade ociosa e um euro forte está empurrando a área da moeda única de 18 países cada vez para mais perto da deflação. A inflação básica (o custo de vida com exceção de combustível e alimentos) na zona do euro já está em um piso recorde de 0,7% e a caminho de diminuir conforme a força do euro corta o custo das importações.

Quatro países da Zona – Grécia, Espanha, Portugal e Chipre – já têm inflação básica negativa. Isso dificulta a vida de duas maneiras: aumenta o valor real de suas dívidas e significa que as taxas de juros reais (ajustadas pela inflação) são mais altas do que em países de melhor desempenho como a Alemanha, onde a inflação básica está acima de 1%.

Por isso o principal objetivo de Draghi é reduzir o nível do euro. Isso não é fácil nas atuais circunstâncias, com o Banco do Japão usando a facilitação quantitativa para rebaixar o valor do iene e o Federal Reserve apenas gradualmente reduzindo o programa de compra de ativos dos EUA. Qualquer alívio que o presidente do BCE possa fornecer aos exportadores da Zona do Euro será modesto e temporário.

Surgem portanto duas outras perguntas: existe um caso para uma ação mais decisiva do BCE, e então qual deveria ser a reação política?

Certamente existe um caso para mais estímulos de Frankfurt. Mesmo deixando de lado as fraquezas estruturais da Zona do Euro, o crescimento está sendo impedido por três fatores: força da moeda, austeridade e uma política monetária mais restritiva que a dos EUA, do Reino Unido ou do Japão. As empresas não estão investindo, os fluxos de crédito são fracos, o desemprego está acima de 12% e os bancos estão em má situação.

Em termos de reação política, o BCE deveria aprender com outros bancos centrais e embarcar em seu próprio programa de facilitação quantitativa. É claro que está um pouco atrasado nisso. Sem dúvida, uma lei de retornos reduzidos se aplica a programas de compra de ativos. Mas a Europa está rumando para a deflação no estilo japonês, onde fica travada no baixo crescimento e alto desemprego. Está na hora de alguma coisa nova nos truques do equilibrista.

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