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Mantega diz que governo não deixará o dólar "derreter"

por Felipe Corazza — publicado 04/01/2011 16h13, última modificação 04/01/2011 16h44
Apesar da promessa feita em entrevista coletiva, o ministro não apresentou medidas concretas para frear a queda livre da moeda americana em relação ao real

Após mais uma queda acentuada do dólar no pregão brasileiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira (4) que o governo "não medirá esforços" para impedir "que o dólar 'derreta'" no Brasil. Na negociação do dia anterior, a moeda americana chegou ao menor valor desde setembro de 2008, R$ 1,65. "O dólar nesse patamar prejudica nossas exportações, embora tenhamos fechado 2010 com um saldo melhor do que o esperado", completou o ministro.

A entrevista coletiva foi anunciada na manhã de hoje. O simples aviso do evento fez o preço do dólar subir para R$ 1,66 no mercado brasileiro. Apesar da promessa, Mantega frustrou o mercado e não anunciou qualquer medida de grande impacto para tentar frear a queda livre da moeda americana.

Mantega afirmou que a crise da moeda é mundial, e não isolada no Brasil. Para ele, é um sinal de que a economia dos Estados Unidos vem se recuperando melhor. "Por incrível que pareça, é um sinal de certa recuperação da economia americana. Os analistas estão projetando um crescimento um pouco maior para 2011. Se a economia mundial melhora, os investidores ficam mais corajosos e deixam de aplicar em dólar, saindo para fazer aplicações em outros mercados"

Uma reversão deste processo só seria iniciada em um "segundo momento", diz Mantega:"Se, de fato, a economia americana crescer um pouco mais, o governo poderá reduzir esse movimento monetário de expansão quantitativa e daqui a algum tempo até começar a subir os juros"

Sobre a ação brasileira, o ministro deixou em aberto quais medidas poderão ser tomadas para estancar a sangria do dólar. De concreto, Mantega apenas mencionou uma redução nos gastos orçamentários do governo: "Isto acabará ajudando o câmbio a médio prazo, já que uma demanda estatal menor abre espaço para que futuramente os juros possam cair".

Apesar de admitir que exitem "infinitas" medidas a se tomar do ponto de vista da intervenção direta no câmbio, Mantega foi irônico ao dizer que "medida cambial não se anuncia: toma-se".

"Essas bondades a gente não anuncia, a gente faz. Nunca vi nenhum governo anunciar medida cambial. Pode até ter efeito contrário, gerando uma correria", justificou.

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