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Itaipu para além da geração de energia

por René Ruschel — publicado 25/11/2015 04h47, última modificação 25/11/2015 08h44
Empresa amplia programas com impacto social no Brasil e no Paraguai
Alexandre Marchetti/ Itaipu Binacional
Itaipu

Quando há muitas chuvas, a usina hidrelétrica abre as comportas para escoar o excedente de água

Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de potência instalada, a Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia renovável. Produziu, desde 1984, mais de 2,3 milhões de MWh, sendo responsável pelo abastecimento de aproximadamente 17% de toda a energia consumida pelo Brasil e de 75% do Paraguai. “Gerar energia é e será sempre o nosso principal foco, mas não pode ser a única finalidade. Adotamos uma visão social que beneficiasse tanto o Brasil como Paraguai” afirmou o engenheiro Jorge Miguel Samek, diretor geral brasileiro de Itaipu.

Com este foco, a partir de 2003 a empresa adotou uma nova postura em sua missão empresarial: “gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil e no Paraguai”.

Itaipu também é responsável pelo pagamento de royalties aos municípios que tiveram suas áreas tomadas pelas águas do rio Paraná na formação do lago com área de 1.350 quilômetros quadrados. Em 2014, dezesseis municípios brasileiros receberam US$ 253,1 milhões e o Paraguai, US$ 273,2 milhões. Desde 1985, a soma de recursos destinada aos dois países superou a US$ 9,4 bilhões.

Segundo Samek, uma das ações da empresa para além da geração de energia é o financiamento de projetos nos municípios lindeiros. Dentre estes, dois se destacaram: o Programa Cultivando Água Boa e a criação de um centro de pesquisas tecnológicas.

Água boa

Desde a construção da obra, em 1975, a Itaipu adotou ações pontuais para preservação da flora e da fauna. Mas era preciso ir além. O objetivo do programa Cultivando Água Boa foi conscientizar as comunidades ao entorno do lago da necessidade em preservar o meio ambiente. Realizado em parceria com prefeituras, órgãos públicos, empresas e forte participação da comunidade, o projeto prevê 65 ações integradas.

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O projeto Cultivando Água Boa ajuda na preservação do entorno

Santa Helena, município de 25 mil habitantes e que teve 40% de suas terras agricultáveis alagadas pela barragem, é um retrato 3x4 de que, com consciência ambiental, a história pode ser reescrita. “Com a adoção de ações práticas como conservação do solo, adubação e preservação dos rios, a produtividade em algumas propriedades rurais aumentou em até 40%” afirmou o prefeito Jucerlei Sotoriva (PP). Para ele, o processo de conscientização da população foi fundamental para a credibilidade do novo modelo de gestão. “A sociedade precisa ver para crer”.

Outra medida importante é o projeto de lixo reciclável. A primeira mudança foi conceitual. Os garis deixaram de ser considerados catadores de lixo para se transformarem em “agentes ambientais”. Hoje, com uma renda familiar mensal que pode chegar até a R$ 3 mil reais, são responsáveis pela coleta de 80 toneladas/mês de material reciclável. Enquanto no Brasil a média de reaproveitamento do lixo doméstico não chega a 20%, em Santa Helena passa de 80%, inclusive na zona rural do município.

E para que nada se perca no futuro, o projeto “Coletivo Educador” se encarrega de educar crianças e jovens em parceria com educadores nas escolas, por meio de redes sociais e uma web rádio que espalha informações. “Todas essas ações sincronizadas são parte do programa Cultivando Água Boa. Aqui, as pessoas aprenderam que preservar o meio ambiente, além de reconstruir a natureza, é uma ótima fonte de renda” afirmou Sotoriva. Em Santa Helena, os royalties se transformaram em energia social.

Parque tecnológico

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O antigo alojamento de operários virou parque tecnológico
Outra medida nesse sentido foi a criação da Fundação Parque Tecnológico Itaipu. O objetivo do PTI é desenvolver e impulsionar projetos e programas voltados a distribuição de conhecimento científico e tecnológico e o desenvolvimento regional. A infraestrutura física estava montada. Durante a construção da hidrelétrica, quando cerca de 45 mil pessoas trabalharam diretamente na sua execução, foram erguidos alojamentos para abrigar 10 mil empregados solteiros que viviam sem suas famílias. Com o fim da obra, essa estrutura ficou sem uso.

A ideia foi aproveitar esse espaço somado a experiência técnica dos engenheiros e professores. “O projeto da Itaipu previa a demolição de toda essa área física. Para nossa sorte, essa área permaneceu intacta. Assim, transformamos os alojamentos em centros de pesquisa e universidades” lembra Samek.

Além da área física, a Itaipu forneceu equipamentos e laboratórios, disponibilizou professores com mestrado e doutorado e todo material necessário para seu funcionamento.  Atualmente, estão alojados ao PTI a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNOESTE); a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a Universidade Federal de Integração Latino-americana (UNILA). Entre alunos, professores e funcionários, são mais de 6.000 pessoas que usufruem diretamente de seus benefícios, sendo a metade estudantes.

Para Samek, o grande legado de Itaipu nesses últimos 12 anos é a somatória de ações técnicas com uma visão social capaz de solidificar um novo modelo gestão que traga benefícios diretos e imediatos a sociedade. “Gerar energia e distribuir royalties são importantes, mas a conscientização fundamentada em princípios e valores de sustentabilidades, aliada a uma nova cultura organizacional, é que fará diferença às novas gerações”.

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A empresa quer fortalecer a preservação ambiental de seu entorno (foto: Kelsen Fernandes/ Fotos Públicas)
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