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Economia

Crônica

Ilimitado, só que não

por Luiz Antonio Cintra — publicado 17/02/2014 17h44, última modificação 17/02/2014 18h20
No plano da Vivo, é a esperteza da operadora que não tem limites. Por Luiz Antonio Cintra
Vivo

Serviço ilimitado? Ou não?

10 Dez. 13. Depois de vários adiamentos, entro na loja da Vivo do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, disposto a trocar de celular, comprar um modelo smartphone. Depois de uma hora na loja, saio com um modelo Motorola G, ao custo de 200 reais aproximadamente. Levo também um novo plano, pelo qual, me diz a vendedora da Vivo, terei “acesso ilimitado” à internet. Ao custo mensal de 144 reais.

 

15 Dez. 13. Empolgado pela novidade, baixei vários aplicativos. O mais interessante é o Tunein, com acesso a 70 mil estações de rádio, das menores às melhores. Aproveitei as férias para ouvir o quanto pude. Me esbaldei com a Ancient, especializada em música da Renascença, que suponho seja francesa, mas talvez seja belga, não sei ao certo. E também com a californiana KCSM, de jazz e bossa nova, e a italiana Venice Classic Radio, de música erudita. Também ouvi vários programas bacanas na USP FM, que pega bem a partir de qualquer cidade com sinal de internet.

 

30 Dez 13. Noto que o “plano ilimitado” da Vivo tem seus limites, ao contrário do que me foi dito. O “teto” aparece com maior clareza justamente quando ouço música: a cada dois ou três minutos de transmissão, uma interrupção para o aplicativo “recarregar” o fluxo de informações e voltar a tocar, em seguida para novamente. Tento falar com a operadora, levo um chá de cadeira daqueles, desisto.

 

12 Jan 14. Depois de vários dias sem conseguir assistir a vídeos ou ouvir música online, misteriosamente a banda da Vivo volta a ter a “largura” do início, ao que parece. Mais uma vez mergulho no Tunein, horas e horas de boa música. Acredito que o pior passou e que, bem, alguém lá na Vivo se ligou no problema.

 

25 Jan 14. As dificuldades voltam, tanto para assistir a vídeos como em transmissões em streaming, incluídas as rádios, claro. Passados alguns dias e misteriosamente, os problemas somem novamente. Voltei a ter um plano ilimitado, me pergunto?

 

15 Fev 14. Estranho que desde meados de janeiro não recebi nenhuma conta da Vivo. Nenhum torpedo, como costumava receber antes de trocar de plano. Até que no dia 15 de fevereiro recebo o SMS: sua conta foi de 274 reais. Como? Comprei um “plano ilimitado” de 144 reais, e agora me cobram quase o dobro do valor contratado? Mais tarde fico sabendo que a “pegadinha” tem a ver com as ligações interurbanas, ausentes do meu plano original e que me custaram a diferença em questão.

 

17 Fev 14. Decido ligar mais uma vez para a Vivo. Após mais alguns minutos de espera e explicado o caso, o atendente me informa: “Se venderam um plano ilimitado para o senhor, o melhor é voltar na loja da Vivo e se informar porque não temos planos ilimitados”. Pergunto se existe algum de maior capacidade de banda, e ele me diz que sim, que eu poderia trocá-lo por um pacote de dois ou três gigas (o meu ilimitado era na verdade, ele me informa, o de um giga). Topei trocar pelo de dois gigas inclusive para escapar das rádios brasileiras, o que custará 179 reais ao mês. Cinco minutos após a alteração, recebo outro torpedo: “Seu Vivo Smartphone Ilimitado foi ativado!”.