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Governo federal aposta na queda do dólar

por Redação — publicado 20/08/2013 17h34, última modificação 20/08/2013 18h20
Moeda norte-americana atinge maior patamar em quatro anos, mas Mantega alerta para especuladores não colocarem todas as fichas na desvalorização do real
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Moeda norte-americana atinge maior patamar em quatro anos, mas Mantega alerta para especuladores não colocarem todas as fixas na desvalorização do real

O dólar atingiu na segunda-feira 19 o maior patamar em quatro anos, apesar de três ações do Banco Central no mercado com a venda de 3,6 bilhões de dólares. A moeda norte-americana atingiu 2,415 reais, uma alta de 0,83%, a maior cotação desde 3 de março de 2009, quando chegou a 2,441. O resultado vem na esteira de turbulências na Ásia e nos 20 principais países emergentes, cujas moedas não conseguiram subir em relação ao dólar na segunda. O real foi a terceira moeda que mais perdeu valor (1,35%).

No ano, o câmbio subiu 17,96% em relação ao real. Um sinal de que os investimentos estão deixando os emergentes após a indicação, desde o fim de maio, de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, reduzirá os estímulos monetários para a maior economia do planeta. O Fed poderá aumentar os juros e diminuir as injeções de dólares na economia mundial caso o emprego e a produção nos EUA mantenham o ritmo de crescimento e afastem os sinais da crise econômica.

Em junho, o BC norte-americano também indicou que pode diminuir a compra de ativos até o fim do ano caso a economia americana continue a se recuperar. Se a ajuda diminuir, o volume de dólares em circulação cai, aumentando o preço da moeda em todo o mundo.

Apesar do cenário adverso, o governo brasileiro aposta agora na queda. O governo federal tem adotado medidas para conter a valorização. Além de vender a moeda no mercado futuro, o BC retirou parte do compulsório sobre as apostas de que o dólar vai cair e eliminou restrições de prazos para que os exportadores financiem antecipações de pagamentos. Também zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou na segunda-feira 19 para que os investidores não apostem em uma desvalorização muito grande do real, sob o risco de sofrerem perdas. “O câmbio no Brasil é flutuante. Ele flutua para os dois lados, tanto para a desvalorização, como poderá flutuar para a valorização. Não esqueçam que isso já aconteceu recentemente. O câmbio primeiro desvalorizou, depois valorizou.”

Mantega atribuiu a alta ao estresse do mercado devido ao aumento da especulação e da migração de títulos de longo prazo para os de curto. Segundo ele, a situação no País está controlada. “Os demais mercados no Brasil estão tranquilos, entrando recursos na conta de investimento externo direto, nas aplicações na Bolsa [de Valores], nas aplicações financeiras. A bolsa brasileira vem subindo há vários leilões consecutivos.” O ministro também garantiu estar pronto para agir caso a subida do dólar pressione a inflação.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, também afirmou na segunda que “o BC está atento ao processo de realinhamento global das moedas e acompanha com atenção os desenvolvimentos no mercado doméstico de câmbio”. Tombini ressaltou, mais uma vez, que “as cotações oscilam” e que “a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda”.

Com informações Agência Brasil