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'Frear a alta do real é a única opção'

por André Siqueira — publicado 27/07/2011 13h29, última modificação 27/07/2011 20h13
Para professor da Unicamp, a luta contra a desvalorização do dólar é necessária para evitar o descontrole cambial

A luta para conter a valorização do real é inglória, mas necessária. Assim o professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Gomes de Almeida, avalia as mais recentes medidas anunciadas pelo governo na área cambial. “Desta vez, há a vantagem de reduzir o ganho de quem aposta na valorização.” Uma medida provisória altera as regras para operações de derivativos em dólar, que poderão ser taxadas em até 25%, além de aumentar a fiscalização sobre operações potencialmente especulativas.

De acordo com o economista, as medidas não impedem a alta do real, mas podem conter o ritmo de apreciação. “Não há viv’alma que não ache que a moeda vai se valorizar, mas o mercado futuro afeta o presente de forma desproporcional.” A ausência completa de medidas de controle do câmbio, prossegue Almeida, poderia acelerar esse processo, com um “efeito manada” que se prolongaria até provocar uma reversão no fluxo de moeda de igual proporção. “Quando o capital de curto prazo decide ir embora, vai de uma vez, e os resultados são inflação e recessão.”

A grande dificuldade, para o governo, seria separar os capitais de curto prazo, que buscam ganhos nos altos juros brasileiros e na valorização cambial, daqueles que ingressam no País para reforçar a estrutura produtiva e colher os benefícios do crescimento econômico. “O bloqueio de recursos voláteis tem de ser permanente, por mais que seja difícil identificá-lo”, diz Almeida.

Ao lado da luta contra a valorização cambial, que deveria passar pela redução da taxa de juros, o professor destaca a necessidade de medidas urgentes para elevar a competitividade da indústria e reduzir os custos de operação das empresas nacionais. “A elevação de produtividade é uma forma de compensar a desvantagem cambial. Foi dessa forma que a China lidou com a valorização de sua moeda, que ocorre em um ritmo muito mais lento do que o brasileiro.”