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Economia

Segundo IBGE

Como em 2008, estados líderes em industrialização sofrem mais com a crise mundial

por Gabriel Bonis publicado 25/11/2011 11h23, última modificação 06/06/2015 18h57
Sul e Sudeste registram queda brusca da atividade no setor, enquanto enfrentam dificuldades de exportação e juros altos
carros

Setor automobilístico influenciou forte queda da atividade industrial no País em setembro. Foto: Antônio Cruz/ABr

As regiões mais industrializadas do Brasil sofreram maior impacto na crise mundial há três anos, aponta um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado na quarta-feira 23. Segundo os dados, entre 2008 e 2009 os nove estados com maior participação no PIB somaram uma queda de 1,5%, enquanto a retração nacional do período foi de 0,3%. Por outro lado, as outras 18 unidades da federação cresceram, em média, 2%.

Um cenário que parece se repetir na crise da dívida pública atual. De acordo com o IBGE, na comparação de setembro com agosto, houve uma retração de 2% da atividade industrial brasileira, o pior resultado desde abril (-1,7%). Apesar de a média de crescimento no ano ainda ser positiva (1,1%), o terceiro trimestre foi nulo e com persepctiva de perda no ritmo.

Os estados mais afetados em setembro, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, somam cerca de 70% do PIB nacional e pertecem às regiões Sudeste e Sul, que entre 2008 e 2009 registraram queda do PIB de 1% e 0,6%, respectivamente, influenciados pela indústria de transformação e a redução dos preços das commodities. Enquanto isso, o Centro-Oeste avançava 2,5% no período e o Nordeste, 1%. “Essas duas regiões contaram com o apoio de programas governamentais como o Bolsa Família e a previdência, que incentivam o consumo, além de investimentos estruturais da escala do PAC”, explica Amir Khair, especialista em contas públicas e ex-secretário municipal de Finanças de São Paulo, em conversa com o site de CartaCapital.

Segundo Khair, os estados mais prejudicados no passado também estão expostos em maior grau à crise atual, pois  concentram as empresas mais sólidas e exportadoras. Durante a crise, explica, criam-se barreiras para a entrada de produtos importados e a concorrência internacional aumenta. “Os mercados de exportação da China encolheram, logo, o país vai tentar vender mais barato e quebrar essas barreiras, dificultando ainda mais para as empresa brasileiras competirem no exterior.”

O analista destaca também que a indústria de transformação enfrenta riscos mais elevados neste momento. “Esse é um setor extremamente competitivo e com alta tecnologia, portanto, a concorrência é mais dura.”

São Paulo(-4,2%), Rio de Janeiro (-3%), Paraná (-13,5) , Minas Gerais (-2,7%) e Rio Grande do Sul (-1,4%), locais mais atingidos pela queda da atividade industrial em setembro, foram prejudicados principalmente pela influência do setor automobilístico. Com estoques cheios, as fábricas optaram por conceder férias coletivas aos funcionários. Contudo, houve retração em 16 dos 27 ramos industriais.

Com estoques cheios, indústria deve reduzir produtividade nos próximos meses

Outro fator que evidencia o desaquecimento da indústria e preocupa os analistas é o acumulo de estoques. Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) divulgada na quinta-feira 24 indica que o índice de retenção de mercadorias em outubro chegou a 52,4 pontos (valores acima de 50 mostram estoques acima do planejado), o que segundo a CNI deve reduzir ainda mais a produtividade nos próximos meses. Além disso, o estudo aponta um recuo nas vagas de trabalho do setor no mesmo período.

Outro levantamentoto da CNI destaca, porém, que em novembro os empresários da indústria estavam otimistas sobre as expectativas econômicas e de seus negócios nos próximos seis meses. Um cenário, de acordo com Khair, possivelmente menos turbulento devido a ação mais eficaz de medidas adotadas pelo governo, como o progama  Brasil Maior e os cortes na Selic.

O especialista ainda aponta o aumento do salário mínimo a partir de janeiro de 2012 como fator de impulso ao consumo das famílias e à retomada do investimento pelas empresas. “É preciso investir, mas o governo poderia ajudar controlando a entrada de importados no País ou teremos problemas com o setor industrial segurando o crescimento do PIB.”

Para Khair, o governo também precisa disponibilizar a empresas e pessoas físicas crédito com juros menores para incentivar o consumo e financiar investimentos. “A taxa de juros para empréstimos é o grande freio da nossa economia e o Estado precisa exigir mudanças. Isso pode ser feito por mecanismos que não dependem da aprovação do Congresso.”