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Crise mundial

Empresas brasileiras devem manter investimentos

por Redação Carta Capital — publicado 04/11/2011 16h10, última modificação 04/11/2011 16h10
Executivos de cinco setores econômicos dizem na premiação As Empresas Mais Admiradas, da revista CartaCapital, que planos de expansão para 2012 não serão alterados
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Para Ivan Zurita, presidente da Nestlé do Brasil, a crise preocupa, mas o mercado brasileiro vem respondendo melhor que os demais países. Foto: Tripolli

O empresariado brasileiro mantém o otimismo e as previsões de investimentos no País para o próximo ano, mesmo com o agravamento da crise internacional. Ao menos esta é a visão apresentada por cinco executivos de companhias importantes em diversos setores da economia do Brasil durante a premiação As Empresas Mais Admiradas do Brasil, evento da revista CartaCapital realizado na segunda-feria 31.

Rubén Osta, diretor geral da Visa do Brasil, acredita na manutenção do crescimento sólido no mercado de cartões de crédito registrado nos últimos cinco anos. “Esse cenário fica na casa dos dois dígitos e não existe vislumbre de mudanças”, adianta a CartaCapital, completando que uma possível desaceleração do consumo não é uma preocupação da empresa para 2012. “O sistema do Brasil é majoritariamente de pagamentos e não de financiamento, nosso revolving [crédito] fica entre 20% e 22% do total.”

A prefêrencia dos brasileiros pelo cartão de débito é usada pela Visa Brasil para impulsionar o crescimento da empresa no mercado nacional. “Existe uma migração muito forte de meios de pagamento, do cheque e dinheiro para o cartão que mantém nosso avanço sustentável.”

No setor alimentício, no entanto, Ivan Zurita, presidente da Nestlé do Brasil, mostra-se preocupado com o cenário adverso na Europa e EUA, mas garante que os rumos da empresa no País não serão alterados. “Continuamos em busca de oportunidades, crescimento e novas perspectivas, mesmo porque o mercado brasileiro vem respondendo a uma velocidade muito superior aos demais países.”

Zurita adianta que a filial brasileira deve ter crescimento orgânico entre 8% e 9% em 2012, com perspectivas positivas inclusive de instalação de novos projetos e aquisições. “Temos o Brasil como uma de nossas maiores prioridades.”

Na aviação, a TAM reviu suas previsões de procura por vôos e trabalha com um crescimento menor, mas manteve a expectativa de avanço em termos de demanda para o próximo ano entre 8 e 10%. “Devemos aumentar a nossa oferta no mercado doméstico em 4% e para se adequar a esse cenário deixamos de ampliar a frota doméstica neste ano”, explica o presidente do Grupo TAM, Marcos Bologna.

O executivo destaca que o setor é fortemente influenciado pelo crescimento econômico do País e, por isso, um avanço menor do PIB refletirá nos planos da empresa. “Com um crescimento de 3% para 2012, devemos avançar cerca de 8%.”

Segundo Bologna, o aproveitamento dos vôos internacionais continua forte e não há queda de tráfego executivo, mesmo com a volatilidade do dólar. “O tráfego de lazer sente um pouco mais o aumento do câmbio, mas a moeda americana parece estar se estabilizando em um novo patamar razoável”, diz, antes de anunciar a previsão de quatro novos Boeings para essas rotas em 2012.

Novos mercados

Murilo Ferreira, presidente da Vale, garante que a mineradora não enxerga com preocupação excessiva a crise mundial, pois a empresa precisa pensar no longo prazo. “Das pesquisas minerais ao projeto finalizado, demora-se cerca de oito a dez anos. Por mais que possamos receber uma influência a curto prazo, nossa tendência é sempre analisar mais adiante.”

Segundo Ferreira, a crise nos EUA tem menor impacto na empresa, que não fornece minério de ferro ao país. No entanto, o mercado europeu desperta preocupação. “As decisões na Europa podem passar por 17 parlamentos e crises exigem soluções imediatas”, diz.

Sobre uma possível desaceleração da China, um dos maiores mercados de commodities do mundo – itens que mantém a balança comercial brasileira equilibrada -, o presidente da Vale aponta Indonésia, Tailândia e Filipinas como clientes em potencial. “Não enxergamos um desaquecimento da economia chinesa e sim um ajuste pontual da política monetária.”

A procura de novos mercados consumidores também está nos planos da Natura, de acordo com Guilherme Leal, copresidente do Conselho de Administração da empresa. Apesar de a crise ter atenuado o desenvolvimento da companhia em relação ao último ano, os investimentos continuarão.

“Faremos investimentos no Brasil e nas capacidades de desenvolvimento da empresa no cenário global, mas de forma cautelosa”, diz Leal, que destaca o espaço disponível para o crescimento da empresa na América Latina e no mundo. “Continuamos vendo o futuro com bons olhos e podemos levar os desafios socioambientais como uma oportunidade de criação de bons negócios.”

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