Você está aqui: Página Inicial / Economia / Bolsa fecha em alta em SP

Economia

Crise econômica

Bolsa fecha em alta em SP

por Redação Carta Capital — publicado 09/08/2011 15h40, última modificação 06/06/2015 18h57
Um dia antes, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou maior queda desde 2008 em razão da situação nos EUA e Europa

Após fechar o dia anterior com a maior queda desde o auge da crise de 2008 (8,08%), a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) fechou os negócios nesta terça-feira 9 em alta de 5,10%, aos 51.150,90 pontos.

Mais cedo, às 10h10, a alta do Ibovespa, principal índice do mercado de ações do País, era de 1,56% e o índice operava em 49.428 pontos. Às 10h18, o Ibovespa subiu 2,50%, com 49.891 pontos. Em Wall Street, dados preliminares mostram que a Dow Jones fechou em alta de 3,98%. Apesar de ter registrado alta no início do dia, o dólar ficou cotado a R$ 1,590 para venda, queda de 1,39%.

A queda registrada na véspera aconteceu após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixar a avaliação de risco da dívida dos Estados Unidos. A perda da nota máxima de crédito, que alastrou as incertezas sobre a economia internacional, funcionou como um vírus que pelas bolsas do mundo todo. No Brasil, o nervosismo atingiu em cheio os fundos de investimentos e corretoras, que passaram a vender ações para atender os clientes que exigiam o resgate.

O alastramento da crise acontece exatamente uma semana depois que o governo de Barack Obama conseguiu elevar o teto da dívida americana, após uma série de embates entre republicanos e democratas no Congresso. Na ocasião, o presidente chegou a lamentar, em discurso aos congressistas, que o país estava prestes a perder o status não por não ter condições de honrar seus compromissos, mas porque não tinha políticos de nível AAA. Feito o apelo, e aprovada a elevação do teto (menor do que pediam os democratas, maior do que queriam os republicanos), a medida, que livrou os EUA de promover um calote histórico, não foi recebida com o mesmo alívio esperado nos mercados – que, àquela altura, já se mostravam preocupados também com a situação financeira do outro lado do Atlântico. Na quinta-feira da semana passada, as bolsas caíram na Ásia e na Europa. O Japão, por exemplo, foi obrigado a desvalorizar o iene em razão do aumento da procura da moeda pelos investidores. No mesmo dia, o Banco Central Europeu anunciou a decisão de comprar títulos de países em crise, numa sinalização de desconfiança diante do cenário.

A semana, que terminou ruim, reiniciou ainda pior. Na segunda-feira, o Banco Central Europeu promoveu uma intervenção para valorizar os títulos dos governos da Espanha e da Itália. Não foi o suficiente para evitar novas quedas. Em Frankfurt, a baixa atingiu 5%; em Paris, 4,7%; e, em Londres, 3,4%.

Exagero

Economistas ouvidos pela Agência Brasil apontaram, ao fim do dia, um “exagero” na a reação observada pelo mercado de ações brasileiro às notícias sobre a situação fiscal dos EUA e da Europa.

“A queda de hoje foi mais emocional do que racional”, disse Keyler Carvalho Rocha, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). “O mercado tende a se recuperar.” De acordo com o professor, a situação da economia de países como Grécia, Itália e Portugal é delicada. Os termos do acordo para elevação do teto da dívida dos Estados Unidos também não foram ideiais. Mesmo assim, isso não justifica, para ele, uma queda tão grande do Ibovespa. “A ação da Petrobras caiu cerca de 30% neste ano, mas a empresa está saudável, tendo lucro”, explicou o professor. “O preço é irreal. Deve subir no longo prazo.”

Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, também acha que a queda do Ibovespa hoje foi “exagerada” e tem “grande componente emocional”. Segundo ele, porém, não é possível saber se ainda podem ocorrer novas quedas ou quando as altas voltarão a ser registradas. Mas ele reconheceu que o rebaixamento da nota dos títulos da dívida dos EUA “foi histórico” e que “a influência desse acontecimento no mercado é grande”.

Nesta situação, Leite recomenda paciência para quem tem dinheiro aplicado em ações. Já para quem tem dinheiro disponível e pode aplicá-lo com objetivo de obter ganhos no longo prazo, Leite disse que a bolsa é uma boa opção. “A aplicação é indicada para quem pode esperar, no mínimo, dois anos.”

A queda nas bolsas de valores do mundo também teve impactos no câmbio. O dólar comercial fechou em alta de 1,96%, cotado a R$ 1,61. Já o euro subiu 2,35%, fechando em R$ 2,30.

*Com informações da Agência Brasil

registrado em: