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Economia

Mudanças sociais

Desigualdade cai e renda sobe

por Redação Carta Capital — publicado 15/09/2011 21h01, última modificação 16/09/2011 11h21
Ipea aponta mais 26,6 milhões de pessoas vivendo com mais de um salário mínimo. Extremamente pobres ainda dependem do governo

O estudo Mudanças Recentes na Pobreza Brasileira, divulgado nesta quinta-feira 15 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que entre 2004 e 2009 a desigualdade no Brasil caiu 5,6% e a renda aumentou 28%. Uma melhora atribuída, entre outros fatores, ao crescimento econômico, geração de empregos, aumento da escolaridade de adultos e aos programas de transferência de renda.

No período avaliado, passou de 51,3 milhões para 77,9 milhões o número de brasileiros vivendo em famílias com renda igual ou maior a um salário mínino (545 reais em 2011) por pessoa, um aumento de 26,6 milhões. No entanto, em 2009, 107 milhões de indivíduos tinham renda inferior a 465 reais per capita por mês.

Naquele mesmo ano, 69% da renda dos brasileiros teve origem em trabalho com mais de um salário mínimo, 4% com salário igual a um mínimo e 14% da Previdência Social, com salário superior ao mínimo.

No entanto, o estudo mostra que a diferença na dependência de benefícios do governo entre os não-pobres (545,00 reais ou mais por pessoa ao mês) é elevada. Nesta faixa da população, 74% das pessoas possuem renda de trabalho maior que um salário mínimo, enquanto 49% dos extremamente pobres (até 67 reais mensais por pessoa) recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo por mês a idosos, deficientes e incapacitados, e 39% o Bolsa Família, as maiores proporções registradas respectivamente.

Segundo o levantamento, ainda houve uma alteração na composição familiar. Em 2004, 40% das famílias eram formadas por um casal com um a três filhos, 9% de mulheres com um a três filhos, 4% da população com quatro ou mais crianças e 47% sem crianças.

Cinco anos depois, os casais com um a três filhos somavam 35%, as mulheres com um a três filhos mantiveram os 9%, a proporção de pessoas com quatro crianças ou mais caiu pela metade, 2%, e aumentou para 53% a porcentagem de indivíduos sem filhos.

As estatísticas também mostram que, em 2009, 73% dos não pobres não tinham filhos, a maior proporção entre as camadas sociais analisadas. Por outro lado,  os extremamente pobres possuem o maior índice de quatro filhos ou mais do País, 23%.

Pobreza

A distribuição espacial da pobreza não sofreu muitas alterações no período, sendo que se concentra em maior proporção nas zonas rurais de pequenas cidades nordestinas. Nas zonas urbanas do Sudeste e grandes municípios do Nordeste, a incidência de pobreza extrema é menor em proporção, mas devido à quantidade de habitantes dessas regiões, o número de extremamente pobres é elevado.

O estudo divide a população brasileira em Idade Ativa e a classifica em famílias com conexão agrícola, em que ao menos metade se enquadra na categoria de produtores agrícolas, famílias com conexão precária - composta por empreendedores e empregados informais - e as famílias sem conexão, nas quais ninguém está ocupado.

As famílias com conexão agrícola são quatro vezes mais associadas à pobreza extrema e 2,4 vezes mais à pobreza do que o esperado. As famílias sem conexão estão 3,6 vezes mais associadas à pobreza extrema e 1,3 vezes à pobreza. Já as famílias com conexão precária aparecem mais intensamente relacionadas à pobreza do que à extrema pobreza.

As famílias extremamente pobres sem conexão possuem 61% de sua renda composta por transferências do Bolsa Família, enquanto as famílias vulneráveis e as não pobres têm na previdência e na assistência social mais de 70% de sua renda.