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Desemprego global cresce e já atinge mais de 200 milhões de pessoas

por Deutsche Welle publicado 21/01/2014 11h32, última modificação 21/01/2014 13h49
OIT reconhece a retomada de alguns países, mas considera avanço insuficiente para recuperação dos níveis de emprego. No Brasil, taxa de jovens negras fora do mercado e da escola preocupa
Louisa Gouliamaki / AFP
Desemprego

Desempregados formam fila do lado de fora de um escritório de Organização Emprego em Atenas, em outubro de 2013

O relatório Tendências Mundiais de Emprego 2014, divulgado nesta segunda-feira (20/01) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), diz que a recuperação da economia global, considerada fraca, não conseguiu reduzir a falta de emprego no mundo. Segundo a OIT, o ano passado fechou com uma taxa de 6% de desemprego no mundo, o que representa 202 milhões de pessoas sem trabalho (5 milhões a mais que no ano anterior).

As maiores economias e a União Europeia não mostraram avanços. A Alemanha – junto com Canadá e Japão – aparece como país que apresentou “pequena melhora”, segundo a OIT. Piores resultados foram registrados na Ásia. E os jovens, segundo o documento, são os mais afetados, com taxa de desemprego três vezes maior que a dos adultos.

No balanço regional, na América Latina e no Caribe o crescimento do emprego é considerado mais ágil que a expansão da população economicamente ativa, mas a falta de vagas para determinados grupos, como mulheres jovens e negras, é motivo de preocupação.

A perspectiva para os próximos anos não é boa: a estimativa da OIT é que o desemprego atinja 13 milhões de pessoas em 2018. No ritmo atual, 200 milhões de empregos seriam criados nesse intervalo, quantidade ainda inferior à necessidade projetada.

“O que necessitamos com urgência é repensar as políticas. Devemos intensificar nossos esforços para acelerar a geração de empregos e apoiar as empresas que criam empregos”, declarou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, em comunicado.

Juventude sofre mais
A população com menos de 25 anos que está fora do mercado de trabalho é de 74,5 milhões, com taxa de aumento de 13,1%, três vezes maior que a dos adultos. Segundo a OIT, a relação entre desemprego juvenil e adulto alcançou um máximo histórico, com destaque para Oriente Médio e norte da África, regiões em que os resultados foram piores.

Um grupo específico preocupa o órgão: os chamados NEET, que não estão empregados, tampouco estudando ou recebendo treinamento. Desde o início da crise, em 2008, esse grupo – formado por jovens de entre 15 e 29 anos – aumentou em 30 dos 40 países com dados disponíveis desde 2007.

Nessa categoria, o Brasil ocupa a décima posição, com 18,4% de desempregados pertencentes à categoria registrados em 2009, e mostrando leve queda nos últimos anos. No caso nacional, o que preocupa a OIT é a grande incidência de jovens negras nesse grupo: 28,2%.

“Taxas altas ou crescentes de NEET são uma preocupação grande para os formuladores de políticas públicas, já que esse grupo não está engajado no trabalho nem investindo no desenvolvimento de habilidades. Pessoas jovens que estão entre o NEET podem estar menos engajadas e mais insatisfeitas com sua sociedade do que seus colegas que estão empregados ou no sistema educacional”, aponta o documento.

Desempenho regional
No Brasil, a taxa de desemprego teve leve queda, considerando estimativas feitas pela OIT, uma vez que os números oficias ainda não foram divulgados. O último dado oficial, calculado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua, aponta para uma taxa de 7,4% de desemprego no segundo trimestre de 2013, número próximo dos 7,5% registrados no mesmo período do ano anterior.

Para o órgão, a situação deve se manter estável no curto prazo. “Não há mudanças significativas no desemprego regional previstas para o próximo ano”, diz o texto.

No documento, a OIT também cita a transferência, no Brasil, de força de trabalho da agricultura para setores considerados de baixa produtividade, ao contrário do que acontece na China. Grande parte da indústria de transformação nacional, diz a OIT, não foi beneficiada por inovação significativa ou diversificação, o que não contribui para resultados positivos.

Caminhos
Para a OIT, os resultados econômicos dos países que mostraram alguma recuperação pós-crise de 2008 “não são suficientes para absorver os enormes desequilíbrios construídos no mercado nos últimos anos”.

Três razões são apontadas como principais influências para esse prognóstico: crescimento da economia mundial ainda não atingirá os índices registrados antes da crise; a principal causa da crise (sistema financeiro) não foi enfrentada; e pouco se tem avançado na redução das formas vulneráveis de trabalho (emprego informal, por exemplo).

Raymond Torres, diretor do Departamento de Pesquisa da OIT, escreve no relatório que uma recuperação duradoura depende de uma estratégia combinada, que una medidas de curto prazo (políticas macroeconômicas de incentivo ao emprego) e outras que enfrentem os desequilíbrios construídos nos últimos anos.

“Essa estratégia fortaleceria a recuperação econômica e abriria caminho para mais e melhores empregos”, escreveu o diretor.

  • Autoria Ericka de Sá, de Brasília
  • Edição Rafael Plaisant

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