Você está aqui: Página Inicial / Economia / Brasil e a crise 9: os fundos de pensão

Economia

Economia

Brasil e a crise 9: os fundos de pensão

por Luis Nassif publicado 25/11/2011 10h41, última modificação 25/11/2011 10h41
Nos próximos anos, os fundos de pensão e fundos de investimento em geral serão o grande motor do desenvolvimento brasileiro. Há uma revolução em curso

Nos próximos anos, os fundos de pensão e fundos de investimento em geral serão o grande motor do desenvolvimento brasileiro.

Há uma revolução em curso, ainda não percebida.

À medida que as taxas de juros da Selic começam a cair e a dívida pública a reduzir - como proporção do PIB - parte substantiva dos recursos dos fundos de investimento migrarão para a atividade real, inclusive para poder fazer frente às metas atuariais - isto é, aos compromissos futuros com seus associados.

Há seis meses praticamente não há mais inversões da Funcef – o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) – em títulos públicos. Parte se deve à redução relativa da dívida. Parte a uma política competente da Secretaria do Tesouro, de troca do perfil da dívida brasileira, esticando os prazos e reduzindo o risco Brasil.

A Funcef tem um patrimônio de R$ 500 bilhões, dos quais R$ 90 bilhões vencerão nos próximos quatro anos e não serão reaplicados na renda fixa. Somados à arrecadação nova, é uma quantia formidável, atrás de novos perfis de investimento.

Essa mudança do perfil dos fundos começou em 2004. Na época, a Funcef tinha uma carteira de R$ 9 bilhões/ano, dos quais 50% aplicados na Selic. O indexador que acompanhava, para fixar suas metas, era a Selic.

Hoje a carteira está em R$ 50 bilhões/ano e a Selic responde por apenas 9% dela. O indexador a ser seguido é a inflação, saindo da armadilha da Selic.

Essa perspectiva tem virado a cabeça dos fundos de pensão e de investimento. Finalmente, começa-se a entrar no mercado de renda variável, rasgando o manual fácil que seguiram nas últimas décadas, de acompanhar apenas a taxa Selic.

A mitigação de risco exige diversificação de investimentos. Por exemplo, quando as taxas de juros caem há uma tendência natural de valorização dos ativos reais – e vice-versa.

Essa diversificação passará por vários mercados:

1. Renda variável líquida, ou mercado de ações.

2. Renda variável de longo prazo, privete equity, investimentos em empresas não listadas em bolsa.

3. Risco de crédito privado, com as novas ferramentas de captação.

4. Imóveis

Recentemente, a Funcef investiu em títulos de dívida de um porto de Santa Catarina, através de um project finance (um projeto financeiro prevendo faturamento, retorno etc.). O porto foi financiado sem um tostão do BNDES.

Outra mudança relevante é a associação com fundos estrangeiros, mas seguindo os regulamentos nacionais.

A partir do episódio Opportunity, os fundos de pensão brasileiro pressionaram por mudanças na legislação, criando a figura do comitê de investimento fiscalizando e criticando decisões de gestores.

Antes, aqui como fora, o gestor tinha plena liberdade para operar. Era a maneira encontrada por grandes fundos e grandes bancos norte-americanos para atuar fora dos limites da legalidade – em paraísos fiscais, em operações pouco ortodoxas – sem ter envolvimento direto, na esbórnia que caracterizou o mercado internacional nas últimas décadas.