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Brasil deve perder saldo na balança comercial em 2012

por Gabriel Bonis publicado 27/12/2011 17h45, última modificação 27/12/2011 17h45
Crise na Europa e nos EUA, além de desaceleração na China, começa a derrubar preços dos itens com forte influência na pauta de exportação do País

Os prognósticos de crescimento pequeno da Europa, principalmente na Zona do Euro, e Estados Unidos em 2012, além da desaceleração da China devido à crise global, podem prejudicar a exportação brasileira de commodities. O cenário de queda dos valores desses itens no mercado internacional deve durar pelo menos até o início do segundo semestre.

A trajetória de desvalorização das commodities pôde ser percebida com clareza no final deste ano. O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), do Banco Central, registrou queda de 3,3% em outubro e 1,7% em novembro. Além disso, o índice de commodities DJ-UBS (Dow Jones-UBS), que abriga as 19 commodities mais consumidas mundialmente, fechou o terceiro trimestre de 2011 em queda de 11,3%.

Júlio Sérgio Gomes de Almeida, doutor em economia e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), acredita, porém, que uma mudança deste cenário deve ocorrer caso os Estados em crise adotem outras estratégias de recuperação. “O preço (das commodities) deve cair, mas espera-se que os países encontrem um caminho mais eficiente para lidar com a crise até o segundo semestre de 2012.”

Essa variação negativa refletirá, no entanto, diretamente na balança comercial brasileira, inflada pela forte demanda de itens como minérios de ferro e alumínio. “Em 2012, o saldo da balança deve cair, mas temos como sustentar essa perda”, diz. “Do ponto de vista do comércio, temos recursos em curto prazo, como reservas internacionais e outras condições razoáveis.”

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a balança comercial do País fechou a quarta semana de dezembro com um saldo positivo no ano de 26,8 bilhões de dólares (cerca 50 bilhões de reais). As exportações somaram 250,3 bilhões de dólares (465,6 bilhões de reais) e as importações 223,4 bilhões de dólares (415,6 bilhões de reais).

Por outro lado, a queda do valor das commodities alivia a inflação, fortemente pressionada por estes itens em 2011. Com o desaquecimento desta demanda, o Brasil deve controlar melhor os índices inflacionários.

O consultor do IEDI destaca que as commodities metálicas, mais ligadas à atividade econômica, devem sofrer as maiores perdas em 2012. Também por conta de uma possível desaceleração da China, maior consumidora de metais do mundo. “Contudo, os alimentos, um conjunto que o Brasil exporta bastante, sofrerão menos.”

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