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As suspeitas que cercam a não-ação do Ministério da Justiça

por Luis Nassif publicado 21/05/2014 11h05, última modificação 21/05/2014 11h32
Nos próximos dias, é provável que a Polícia Federal providencie a prisão dos chefes da TelexFree – a pirâmide financeira que vitimou mais de um milhão de brasileiros. Por Luis Nassif

Nos próximos dias, é provável que a Polícia Federal providencie a prisão dos chefes da TelexFree – a pirâmide financeira que vitimou mais de um milhão de brasileiros, em um golpe estimado em quase 2 bilhões reais.

Estará atendendo a solicitações do FBI, já que, pela Justiça brasileira, eles continuam livres, soltos e atuando em outras pirâmides financeiras.

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As pirâmides, em si, são apenas a casca do negócio. A verdadeira organização criminosa é a dos chamados “divulgadores” uma rede de estelionatários distribuída por todo o país, que migra de um plano para outro.

Entendendo a natureza do golpe, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) de Massachusetts indiciou não apenas os proprietários da TelexFree mas os principais divulgadores. Seria a única maneira de desbaratar a organização criminosa.

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É uma organização hoje em dia que transita por pirâmides de toda natureza, um para cada gosto.

Tem o BBom, que supostamente vende serviços de rastreamento por celular. Para entrar no jogo, o incauto paga 600 reais de taxa de adesão. Na área de mídia digital existe a Priples, de Pernambuco, acenando com lucros de 60% ao mês, com taxas de adesão de 100 reais a 10 mil reais. A Blackdever, de Minas, negocia cartões de crédito pré-pagos: taxas de adesão entre 600 reais e 9.950 reais. A Multiclick Brasil, de Santa Catarina, aplica golpe similar à TelexFree: a remuneração depende apenas do incauto colocar anúncios no Facebook.

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No perfil da TelexFree no Facebook, existe agora a Luvre (sic), pirâmide construída em torno de supostos créditos de carbono. No site da pirâmide (www.luvredobrasil.com.br) mencionam-se pessoas que ganharam até 8 milhões de reais (!) em um ano vendendo “produtos ecológicos”.

Tem até um suposto ator global promovendo o golpe – assim como na TelexFree (http://migre.me/jg7Qk). No vídeo, ele informa que marketing multinível é um projeto em que “todos ajudam a todos sem puxadas de tapete”. E mistura mudanças climáticas, terremotos, tsunamis como argumentos de venda.

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É um golpe ostensivo, óbvio. Então porque a Polícia Federal não age?

Simplesmente porque até hoje não foi acionada pelo Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Como há dúvidas sobre as competências, se são crimes federais ou estaduais, a PF teme entrar em uma investigação e o inquérito ser anulado por inepto.

A única maneira de resolver a pendência seria receber uma ordem de José Eduardo Cardozo e começar as investigações para definir responsabilidades e formas de atuação.

As ordens nunca chegaram. Cardozo agiu uma única vez, pressionado por uma reportagem do programa Fantástico. Anunciou uma ação administrativa contra a TelexFree, de valor irrisório, inferior aos ganhos da empresa.

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Não se sabe ao certo a razão dessa anomia do ministro. Alguns observadores julgam que seria em função do envolvimento de muitos pastores evangélicos com influência sobre a base do governo. Há que aponte o lobby de grandes escritórios de advocacia junto ao ministro.

A dimensão do golpe, somado a alguns indícios – como o patrocínio da TelexFree ao Botafogo – sugerem que possam haver bancos de negócios influentes fazendo a reciclagem do golpe.

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