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As surpresas na recuperação das vendas da indústria

por Luis Nassif publicado 05/06/2013 11h59
Crescimento foi puxado principalmente por veículos automotores, máquinas e alimentos
Antônio Cruz/ABr
automobilística

De acordo com o IBGE, indústria automobilística impulsionou crescimento de 1,8% do mês

Pelos últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados na terça-feira 4, a indústria finalmente começa a acordar.

São tempos curiosos. Os últimos dados do IBGE, divulgados semana passada, indicavam um quadro de estagnação da indústria. O único setor mais dinâmico foi o de caminhões e máquinas agrícolas, muito mais em função de demanda reprimida (no ano passado os financiamentos estiveram quase paralisados), havendo dúvidas se o crescimento se repetiria nos próximos meses.

Os dados referentes a abril, no entanto, mostram um quadro totalmente distinto, com o crescimento se refletindo em quase todos os setores industriais, insuficiente para repor ainda os níveis de 2011, mas suficiente para reverter a queda dos últimos meses

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Em geral, essas dissintonias estatísticas ocorrem quando há inflexões agudas na economia – mudanças rápidas de patamar, para baixo ou para cima.

A pesquisa IBGE mostrou aumento de produção em 17 dos 27 ramos investigados. O crescimento no mês foi de 1,8%, puxado principalmente por veículos automotores (8,2%), máquinas e equipamentos (7,9%) e alimentos (4,8%).

Nos dois últimos meses, o setor de veículos automotores acumulou expressiva alta de 15,6% e o de máquinas e equipamentos, 19,3%; enquanto o de alimentos eliminou a perda de 4,5% registrada em fevereiro e março.

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Em relação a abril de 2012, o avanço foi expressivo: no geral a indústria cresceu 8,4% com crescimento registrado em 23 das 27 atividades, 58 dos 76 subsetores e 63,4% dos produtos pesquisados. Ou seja, crescimento amplo e disseminado.

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As quedas foram em poucos setores, entre os quais os da indústria extrativa (- 8,3%), afetada pelas cotações internacionais, a da edição, impressão e reprodução de gravações (- 5,8%) e metalurgia básica (- 2,1%).

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Ainda não se produziram análises mais apuradas para explicar essa volatilidade dos indicadores.

Autor de uma avaliação bastante negativa da indústria, em cima dos dados anteriores, o IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) reformulou parte de suas previsões.

Registrou um conjunto de fatores excepcionais que ocorreram em abril, mas não pode fugir da conclusão final, de que abril foi positivo para todos os setores da indústria. Na margem, a indústria de bens de capital cresceu pelo terceiro mês seguido.

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Levará algumas semanas ainda até o mercado consolidar as novas expectativas em relação ao PIB de 2013. O próprio IBGE recomenda cautela na avaliação dos dados, devido à extrema volatilidade dos indicadores e do tom negativo de alguns indicadores recentes, como a redução de 5,25% na venda de veículos em maio, e a volatilidade dos indicadores de confiança da indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.

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De qualquer modo, é o primeiro dado positivo sobre o PIB, desde a desaceleração ocorrida a partir de 2011, como reflexo das medidas prudenciais adotadas pelo Banco Central e pela Fazenda.

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