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Economia

Coluna Econômica

As mudanças no Fundo Monetário Internacional

por Luis Nassif publicado 22/04/2013 17h28, última modificação 24/04/2013 17h10
Com a crise, o FMI abandonou o receituário único e passou a ver as nuances de cada país

Divulgado no final da semana passada, o ultimo relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) traz um balanço amplo da economia internacional.

A principal conclusão do relatório é sobre as discrepâncias no ritmo de recuperação  das diversas economias. Para se obter crescimento sustentado e equilibrado, constata o relatório, há a necessidade de que o ritmo de recuperação seja similar em todos os países, que seja inclusivo e fundado na economia verde.

Em relação ao ritmo de recuperação, o Fundo identifica três grupos de países distintos.

O Grupo 1 é formado pelos mercados emergentes. Para eles, o Fundo recomenda reconstruir o espaço público e reforçar a regulação e a supervisão financeira. Os de baixa renda devem focar suas políticas na construção de infraestrutura e nas políticas sociais.

O Grupo 2 tem os Estados Unidos. O FMI considera que foi evitado o precipício fiscal – decorrente do impasse entre o Congresso e o Executivo. Mas que o país precisa acertar o ritmo do ajuste fiscal, melhorando a sua qualidade.

O Grupo 3 é a Zona do Euro. Considera-se que muitas medidas foram tomadas em curto espaço de tempo. Mas há a necessidade de maior saneamento bancário e de se avançar na união bancária, de maneira a fortalecer o sistema bancário contra a contaminação. Também considerou positivo o afrouxamento monetário no Japão e os planos do país de reduzir a dívida pública e promover reformas estruturais para conferir maior eficiência à economia.

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O principal alerta do trabalho é quanto aos riscos do setor financeiro, que ainda não foi completamente saneado. E faz um alerta até agora pouco escutado: os ajustes precisam manter a equidade, protegendo os segmentos mais vulneráveis da população e promovendo o crescimento e o emprego. Os ajustes precisam ser justos, para terem legitimidade política.

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Uma das grandes ameaças trazidas pela crise seria a fragmentação das ações nacionais, comprometendo a cooperação. Como se recorda, o agravamento da crise de 1929 – que acabou levando à Segunda Guerra Mundial – se deveu às guerras comerciais e cambiais entre países.

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Agora, há um monitoramento permanente sobre os riscos iminentes, as correias de transmissão capazes de provocar efeitos em cadeia nos diversos países. A grande mudança do banco foi a criação de um Relatório do Setor Externo, destinado a dar uma visão mais prospectiva em relação às contas externas dos diversos países, acabando com a miopia de centrar todos os diagnósticos na questão fiscal.

São curiosas as mudanças que a crise trouxe ao Banco. Antes, havia receita única para os diversos países. Para qualquer problemas com as contas externas, o único remédio receitado era o ajuste fiscal. Ele teria que ser suficientemente profundo para reduzir as importações e gerar excedentes para exportação, fossem quais fossem as consequências sobre emprego, renda e crescimento.

Agora, o discurso do Fundo enfatiza a importância do diálogo e da persuasão e a análise das circunstâncias específicas de cada país.

Principalmente, visa analisar o impacto de mudanças cambiais de um país sobre os demais, além de criar um quadro de consultas multilaterais.