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A importância do BRICS para um pré-sal brasileiro

por Alex Prado — publicado 01/10/2015 11h15, última modificação 01/10/2015 11h20
Grupo é ferramenta para o Brasil contestar uma ordem dominada pelos Estados Unidos
Roberto Stuckert Filho / PR
Dilma Rousseff

Dilma Rousseff em reunião com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modri durante a VII Cúpula do BRICS: grupo é estratégico para o País

Uma nova geopolítica internacional, da qual o Brasil quer ser ator relevante, passa necessariamente pela aceitação de que a nova ordem deve prescindir daquela ditada há mais de um século pelos EUA e seus aliados. Essa foi a conclusão da palestra “O Brasil no BRICS”, do professor Williams Gonçalves, que encerrou o seminário “Uma estratégia para o Brasil, um plano para a Petrobras”. Para Gonçalves, o Brasil tem na Petrobras o eixo propulsor do desenvolvimento econômico e deve garantir à companhia as condições de se firmar como uma das grandes, efetivamente, no setor de energia, especialmente por conta do pré-sal.

Gonçalves recordou que um artigo publicado em 2009 pelo economista Tim O’Nell, do Goldman Sachs, consagrou o termo BRICS para designar o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas lembrou que a primeira atuação conjunta dos países ocorreu em 2006, ainda sem a África do Sul, numa rodada de negociações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Aquele acordo de concertação diplomática evoluiu para a institucionalização, em 2009, quando os chefes de Estado deram início efetivo ao grupo, já com uma visão institucional de propor uma nova ordem internacional, em contraponto à dominante doutrina dos EUA. A África do Sul integra-se ao grupo em 2010.

Para o professor, a diversidade sócio econômica e política do grupo, apontada como uma de suas fragilidades, na verdade o legitima na busca por mudanças na geopolítica internacional. E apontou similitudes na história dessas nações, que permitiram a aliança.

A começar pela Rússia, como a primeira a romper com os dogmas do capitalismo, na Revolução de 1917. Depois a China, ao se ver livre das ocupações inglesas e japonesas e, desde 1949, colocar-se ao lado dos países do chamado terceiro mundo. A Índia, pós-colonização, também na década de 1940 lidera o conceito de países não-alinhados. A África do Sul depois das colonizações inglesa e holandesa, ainda enfrentou o Apartheid até a década de 1990.

Quanto ao Brasil, segundo professor, a história de país colonizado e a diplomacia implementada no pós Segunda Guerra também caminharam nessa direção, inclusive durante os anos da ditadura militar. Entretanto, a força da doutrina dos EUA é bastante arraigada nas elites brasileiras, colocando freios e, muitas vezes, impedindo o avanço do Brasil como uma potência regional.

Williams Gonçalves aponta essa tendência das elites brasileiras pró EUA como responsável pelas idas e vindas da atuação do Brasil no cenário internacional. Para ele, a existência do BRICS é quase ignorada pela maioria da população. E grande parte deste desconhecimento é responsabilidade da grande mídia hegemônica, que trata o grupo com superficialidade, diante da sua real importância.

Gonçalves encerrou sua palestra afirmando que a soberania do Brasil torna-se mais clara com a existência do pré-sal. Dominar a tecnologia de exploração e manter a defesa dos campos são tarefas da Petrobras e do Estado brasileiro. E a escolha de aliados nestas duras frentes pode mudar o resultado do futuro do país, para o bem ou para o mal.

O seminário foi uma realização conjunta da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) e do Programa de pós-graduação em Economia Internacional da UFRJ, com o apoio do Clube de Engenharia e de CartaCapital. Foram quatro palestras que reuniram um público superior a 500 pessoas, durante o mês de setembro. Felipe Coutinho, presidente da Aepet, e os professores Maurício Metri e Raphael Padula, da UFRJ, foram os outros palestrantes.

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