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Coluna econômica

A guerra das expectativas e a troca de equipes

por Luis Nassif publicado 09/04/2014 16h15
O problema da atual equipe econômica é a imprevisibilidade. Em determinado momento, a prioridade é trazer taxas de juros e câmbio para níveis internacionais. Depois, a prioridade é combater a inflação

Mesmo no período militar, em alguns momentos houve um modelo de implementação de política econômica muito próximo do parlamentarismo. Estimulavam-se dois pólos de discussão, a Fazenda e o Planejamento, um mais voltado para o mercado financeiro, outro para os programas estruturantes. Cada qual ficava sob a responsabilidade de um Ministro forte. De tal maneira que, se os planos econômicos se frustrassem, trocava-se o Ministro preservando o presidente do desgaste político.

Esse modelo foi abandonado no governo Figueiredo, após a saída do Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Concentrou-se tudo nas mãos do Ministro do Planejamento Delfim Netto, que indicou o Ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e das demais instituições econômicas.

Quando falhou o pacote econômico de 1980, o mundo desabou nas costas do Ministro, do governo e do regime.

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Trocas de Ministros - e de equipes - são instrumentos relevantes para enfrentar a guerra de expectativas com o mercado e a mídia, quando estiver desfavorável para o governo. Funcionam como amortecedores, como renovação de esperanças, como correções de rotas, reduzindo o desgaste do presidente e diluindo as pressões, que se avolumam na proporção direta da falta de respostas a elas.

Ontem, reportagem do “Estadão” mostrava uma profusão de recordes na equipe econômica: Guido Mantega, o mais longevo Ministro da Fazenda da história; Arno Agustin, o mais longevo Secretário do Tesouro; Luciano Coutinho, do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social); Márcio Holland, da Secretaria de Política Econômica.

Segundo uma “fonte graduada do governo”, a longevidade é benéfica pois “segundo a teoria econômica, a permanência de "policy makers" confere consistência às medidas do governo e, também, dá previsibilidade aos empresários”.

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Ora, em princípio, a única “previsibilidade” assegurada é a da permanência da equipe nos seus cargos, independentemente do sucesso e da previsibilidade da política econômica.

Na política econômica, a previsibilidade é dada por uma linha teórica clara, objetiva, que respalde as medidas a serem tomadas pela equipe no decorrer dos trabalhos. Ou seja, entendido o objetivo a ser perseguido, se as medidas guardarem uma lógica entre si – e com o objetivo proposto – constrói-se a previsibilidade.

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O problema da atual equipe econômica é a imprevisibilidade. Em determinado momento, a prioridade é trazer taxas de juros e câmbio para níveis internacionais, permitindo a volta dos investimentos. No momento seguinte, a prioridade é combater a inflação, ainda que à custa de aumento da Selic.

Ora busca-se a modicidade tarifária nas concessões tabelando o spread dos competidores; depois, deixando que a modicidade seja alcançada através da competição.

Depois, tenta-se contornar a perda da competitividade com um conjunto de isenções, benvindas mas de pouca eficácia para melhorar o PIB.

Renovações são relevantes não apenas para melhorar as expectativas mas para trazer novas ideias, novos discursos, novas apostas no futuro.

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Dilma Rousseff tem dois desafios pela frente: vencer as próximas eleições; e, sendo vitoriosa, administrar o país por mais quatro anos. É uma longa caminhada.