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Economia

Análise / Paulo Yokota

A crise mundial e as mudanças na Ásia

por Paulo Yokota — publicado 21/02/2014 17h14, última modificação 24/02/2014 10h32
Com 60% da população e 26% da economia mundial, o continente enfrenta os impactos da turbulência econômica
Galeria de Rene Mensen / Flickr
China

A China passou de um patamar de crescimento econômico anual de quase dois dígitos na última década, para algo em torno de 7% atualmente

Se a Ásia desempenha atualmente um papel importante no mundo, contando com aproximadamente 60% da população e 26% da economia, segundo os dados mais atualizados, com um dinamismo ainda maior que a média mundial, mesmo com renda per capita mais baixa, ela não poderia deixar de sofrer também o forte impacto da crise atual.

Sendo a China a principal economia deste continente e a segunda no mundo, superada somente pelos Estados Unidos, influenciando e sendo influenciada pelos seus vizinhos, ela procura realizar as profundas reformas decididas no Terceiro Plenum do PCC – Partido Comunista Chinês. Ela passou de um patamar de crescimento econômico anual de quase dois dígitos na última década, para algo em torno de 7% atualmente, podendo registrar nos próximos anos um crescimento mais baixo.

O Japão, a terceira economia mundial, desenvolvida e democrática, tenta com a sua política conhecida como Abeconomics voltar a crescer depois de duas décadas de estagnação e deflação.

A Índia, outra gigante emergente e democrática da Ásia, passa igualmente por uma desaceleração do seu crescimento, devendo enfrentar neste ano uma eleição crucial que decidirá se continua contando no governo com um representante das poderosas famílias Gandhi – Nehru, que vem dominando o seu cenário político desde a sua independência, ou se terá um oposicionista no poder.

O Extremo Leste do continente conta com a aguerrida Coreia do Sul, um dos mais destacados Tigres Asiáticos que, mesmo com todas as crises enfrentadas, continua exportando os seus produtos para todo o mundo. O Sudeste Asiático conta tem uma diversidade de países, desde a hoje desenvolvida Cingapura, um país-cidade que desempenha um papel de capital regional, como os maiores países de população muçulmana moderada, como a Indonésia e a Malásia.

Outros países deste continente enfrentam hoje complexos problemas, como na Tailândia, Paquistão e Bangladesh, todos com populações expressivas. Outro, como o valente Vietnã, que enfrentou guerras com a França e os Estados Unidos, mantêm a China fora de suas fronteiras e continua se destacando no seu duro crescimento econômico. Mianmar continua em seu processo de se tornar uma democracia.

Certamente a Ásia diversificada é um continente onde muitos acontecimentos emocionantes continuam se desenrolando, com seus dramas e lutas, procurando consolidar um papel relevante no mundo, tentando conquistar padrões de vida mais elevados e democráticos. Sempre vale a pena acompanhar suas experiências, e verificar o que se pode aproveitar delas, com a devida adaptação em outras partes do mundo.

Muitos dos seus países apresentam condições geográficas parecidas com o norte brasileiro, notadamente no Sudeste Asiático, mas suas culturas são mais antigas, havendo grande interesse em acompanhar as mudanças encaminhadas. Algumas são paralelas às nossas, mas apresentam identidades próprias.  As comparações servem como lições e podem ser incorporadas para ajudar a resolver os nossos aperfeiçoamentos.

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Paulo Yokota é ex-diretor do Banco Central do Brasil e ex-presidente do Incra. Com dupla cidadania (brasileira e japonesa), viajou mais de 100 vezes para a região e atualmente publica no site Ásia Comentada

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