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Desconfiança na economia brasileira é "temporária", diz megainvestidor

por Samantha Maia — publicado 20/05/2014 15h10, última modificação 20/05/2014 15h41
Jorge Perez, CEO do Related Group, está à frente de investimentos de mais de R$ 1 bilhão no Brasil; o foco é o mercado imobiliário de alto padrão
Nilani Goettems
jorge

Jorge Perez, fundador e CEO da Related Group

Quando o fundador e CEO da Related Group, uma das maiores incorporadoras dos Estados Unidos, olha ao redor do escritório da Related Brasil, braço brasileiro do grupo, na Zona Oeste de São Paulo, identifica uma paisagem carregada de concreto, janelas pequenas, tetos baixos e sacadas restritas. “O conceito que trazemos é o oposto disso: grandes janelas, sacadas amplas, tetos altos e uma tecnologia associada aos serviços dos condomínios”, diz Jorge Perez, na semana de inauguração do escritório de vendas do V House, condomínio residencial de alto padrão a ser construído pela empresa na cidade próximo ao centro comercial da Faria Lima.

Há dois anos a incorporadora decidiu apostar no Brasil em parceria com a também americana Related Companies para investir 1 bilhão de reais ao longo de três anos. As duas possuem um portfólio de investimentos total de 20 bilhões de dólares no mundo. Até agora, foram aportados 110 milhões de reais em dois projetos na capital paulista, o V House e o Parque Global, este último em sociedade com a construtora brasileira Bueno Netto. O valor geral de vendas dos dois empreendimentos é de 1,4 bilhão de reais. O ritmo de investimento mais lento do que o esperado não diminuiu o interesse no mercado brasileiro, mas modificou a estratégia da companhia.

Quando os investidores chegaram ao Brasil em fevereiro de 2012, com o executivo Daniel Citron à frente da presidência da Related Brasil, estudaram investimentos no Nordeste, no Norte e no Sudeste. Decidiram fincar os pés em São Paulo e focar em imóveis residenciais para o público de alta renda, com preços de até 18 mil reais o metro quadrado. “Ainda queremos investir 1 bilhão, mas não devemos expandir tanto para outras cidades. Podemos investir no Rio de Janeiro e em Santos, no litoral paulista, se houver confiança no projeto”, afirma Perez.

Segundo o executivo, as vendas de imóveis no Brasil estão devagar por conta de um clima de desconfiança em relação à economia que ele avalia ser temporário. Perez não acredita que o mercado imobiliário brasileiro corra o risco de uma bolha – que é uma variação de preço muito acima da média. “A terra em São Paulo continua cara e as vendas não pararam.”

Os resultados da Related Brasil não desapontam o investidor. Cerca de 80% da primeira fase do Parque Global foi vendida em apenas um mês. São 672 apartamentos de 133 a 317 metros quadrados distribuídos em cinco torres, com valores que variam de 2 milhões a 3 milhões de reais. Os prédios compartilham uma área de 218 mil metros quadrados na Marginal Pinheiros com torres comerciais, um shopping center, um hotel e um parque privado. Os três primeiros edifícios estão em construção e devem ser entregues em 30 meses.

O V House, por sua vez, não começou a ser vendido, mas Perez garante que já há interessados o suficiente para ser um sucesso de vendas. Os apartamentos têm de 36 metros quadrados a 205 metros quadrados e o público alvo é o de pessoas que trabalham da região. O diferencial é a oferta de uma estrutura de serviços compatíveis com a de um hotéis cinco estrelas. “Conversamos com as principais imobiliárias e vimos que era esse o modelo certo, um conceito que nos foi exitoso em Miami e em Nova York e que é novo em São Paulo”, diz o executivo. A construção deve começar em quatro meses para entrega daqui a dois anos.

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