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Diálogos Capitais

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Representantes apelam para governo impulsionar reciclagem

por Rafael Nardini — publicado 07/05/2014 17h14, última modificação 07/05/2014 17h28
Para Pedro Vilas Boas, diretor da área de produtos e reciclagem da Ibá, "o poder público não está fazendo a sua parte na responsabilidade compartilhada"
Rodrigo Ono
Auri Marçon

Renault Castro, da Abralatas, e Auri Marçon, da Abipet

Os representantes das cadeias produtivas de plástico, papel, alumínio e garrafas pet participantes do seminário Diálogos Capitais: Resíduos Sólidos – Embalagens pós-consumo pediram por medidas governamentais que auxiliem as empresas a alavancar os níveis de reciclagem da cadeia produtiva. Segundo as entidades patronais, não há mais espaço para burocracia, demora na tomada de ações ou falta de direcionamento nas instâncias legislativas. “Monitoramos cerca de 285 projetos de leis. Desses, 90% são estapafúrdios. Não servem para nada!”, disse o presidente da Abipet (Associação Brasileira da Indústria do Pet), Auri Marçon no evento organizado por CartaCapital nesta quarta-feira 7.

De acordo com ele, para que a chamada responsabilidade compartilhada funcione há um ator determinante nessa cadeia: a educação. Marçon cita que não é por acaso que os países que mais se destacam na indústria de reciclagem seguem sendo aqueles com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). “A reciclagem começa após a refeição. Onde descarto os sólidos, onde descarto os orgânicos... Se isso é mal feito, ou não consigo reciclar ou fica muito caro. Não dá para ir na casa de cada um e pedir pela embalagem. O cidadão precisa otimizar o seu descarte”, exemplificou. “O Brasil é décimo colocado na reciclagem mecânica de plástico. A Suécia é a mais bem colocada”, afirmou Paulo Henrique Rangel Teixeira, diretor superintentende da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plásticos), numa de suas intervenções, corroborando com a tese de seu colega.

Pedro Vilas Boas, diretor da área de produtos e reciclagem da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), novo nome da antiga Bracelpa, engrossou o coro dos descontentes. “Parece que o poder público não está fazendo a sua parte nessa responsabilidade compartilhada. O fim dos lixões que deveria ser em 2014 não aconteceu. Temos aí os sistemas de coleta seletiva e a necessidade da desoneração da cadeia da reciclagem. Se isso não acontecer, poderemos ter recuo na reciclagem”, criticou.

Já para André Vilhena, diretor do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), o tempo em que o governo se queixava de falta de recursos dos municípios para realizar a coleta seletiva de resíduos sólidos já passou. “Não há falta de dinheiro hoje. Temos prefeituras que fazem ótimos trabalhos. Porto Alegre, por exemplo, faz coleta seletiva há 25 anos. Com bons trabalhos, a iniciativa privada se sente motivada a criar ações”, afirmou.

Mea culpa. Realidade nas cadeias indústrias, a reciclagem passou a ser bem vista pelos empresários há poucos anos. “Lá atrás eu mesmo tinha batia na porta dos empresários e tinha de pedir pelo amor de Deus para eles usarem pet. E depois de muita insistência, de muitos anos de trabalho, eles diziam: ok, vou usar, mas não conte para ninguém”, conta Marçon ao analisar uma reversão recente. “Hoje várias empresas, várias multinacionais, batem à nossa porta para dizer que querem usar o pet reciclável em carros e novos produtos. Isso virou algo inteligente para a sociedade”.

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