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Fórum Brasil

Produção e varejo cobram do governo menos inflação e tributos

por Envolverde — publicado 19/03/2014 16h40
Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza); Murilo Ferreira (Vale); e Antonio Maciel Neto (Grupo Caoa) ressaltaram solidez do mercado brasileiro, mas ressaltaram entraves relativos a impostos
André Luy
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Sergio Lirio, redator-chefe de Carta Capital, Murilo Ferreira, Luiza Helena Trajano, Antonio Maciel Neto e Luiz Gonzaga Belluzzo debateram pela manhã

No primeiro debate desta quarta-feira 19 do “Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro”, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, disse que o varejo brasileiro vive uma década de ouro. “Todo janeiro, há uma feira do varejo nos Estados Unidos. Há dez anos, o varejo americano era muito forte e o brasileiro, fraco. Então, em vez de lamentar, o setor tomou uma atitude. Formou-se então o Instituto de Desenvolvimento do Varejo, com 40 presidentes de empresas. Descobriu-se que o segmento era o maior empregador do país e lá debatemos os rumos”, disse.

Luiza revelou que só 54% da população tem máquina de lavar automática. Só 7% da população têm aparelho de TV de tela plana e 1%, ar condicionado. “Nós ficamos 30 anos na ditadura”, disse, em alusão ao que classificou como “escravidão” de uma grande parcela de brasileiros que não tinha acesso a tais facilidades. Neste sentido ainda mostrou-se defensora entusiasmada do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que teve como consequência a criação do Minha Casa Melhor, medida facilitadora de crédito para aquisição de móveis e eletrodomésticos para os beneficiados com o programa de moradia.

“O Brasil tem mercado. Não é bolha”, ressaltou antes de lembra que o varejo cresceu 8% em 2013. “O primeiro trimestre deste ano está excelente. E o que falta no Brasil? A união das pessoas”, provocou. “Vem o pessoal de Recursos Humanos e fala de qualificação. Ninguém quer ser vendedor e ainda eles vem exigindo qualificação?”, disse, arrancando gargalhadas da plateia. “O Brasil é nosso; não é dos políticos.”

Depois da exposição de Luiza, falou ao público o presidente da Vale, Murilo Ferreira, para quem a atividade mineral é um importante pilar na economia moderna, pois alavanca o desenvolvimento da infraestrutura. “E ainda continua gerando muito emprego”, sublinhou. “Para cada trabalhador empregado na Vale são outras 13 vagas indiretas. O setor também agrega reservas internacionais ao país.”

Ferreira disse ainda não prever uma catástrofe no crescimento chinês, cujas previsões de desaceleração acentuada têm afetado o desempenho das ações da Vale. Em sua visão, o desenvolvimento sustentável é uma das chaves do sucesso da companhia, que procura cuidar do meio ambiente e das populações do entorno das plantas.

Duas décadas. Já o presidente do Grupo Caoa (revendedora de veículos de grande porte), Antonio Maciel Neto, traçou um cenário animador dos últimos 20 anos no Brasil. “Houve crescimento da renda, do consumo, hoje há pleno emprego, investimento estrangeiro robusto, a escolaridade do brasileiro aumentou e aconteceu um processo de internacionalização das companhias nativas”, pontuou. “O Brasil é hoje o quarto maior mercado de automóveis do mundo. No território nacional, o nicho para esse setor está no interior do país, onde existe déficit de veículos por família.”

Acerca de saídas para os problemas atuais – como indústria, produtividade baixa, setor elétrico, e carga tributária -, o executivo que já foi presidente de grandes empresas como Ford e Suzano Papeis enxerga uma trilha: “Nós precisamos ter uma nova agenda para os próximos anos, concentrada em combate à inflação, aumento de investimentos e a melhora da produtividade.”

Ele defendeu ainda que a inflação, afetada pela indexação e pela falta de racionalização tributária, precisa cair para 2% ao ano no médio prazo. Quanto aos investimentos, afirmou, seria preciso agências reguladoras sérias e normas estáveis. Além disso, apontou o fortalecimento do mercado de capitais e o aumento da produtividade como tópicos a serem melhorados e planejados, uma vez que há demanda de investimento em treinamento, inovação e software. “São itens que dependem só da gente. É preciso ter uma visão otimista sobre o futuro”, disse.

Em relação à desconfiança do setor privado com o governo, enquanto o presidente da Vale disse que essa se deve à antecipação da temporada eleitoral, Luiza Trajano concordou, mas alertou para um grande problema que seria a comunicação governamental “ruim”. “A presidente precisa se comunicar”, afirmou. “A vontade do povo é de sair da depressão.”

*Márcia Pinheiro, da Envolverde, especial para CartaCapital