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Portos precisam atender expansão do agronegócio, dizem executivos

por Redação — publicado 24/02/2016 16h32, última modificação 24/02/2016 16h33
Brasil pode se tornar o maior exportador mundial do agronegócio em 2020, e déficit na capacidade dos portos demanda investimentos
Fayet

'Até 2020, seremos os maiores exportadores mundiais do agronegócio', diz Luiz Fayet, da CNA

As dificuldades no escoamento da produção brasileira e o consequente déficit na capacidade portuária do País revelam a necessidade de investimentos no setor, especialmente diante do avanço do agronegócio.

A avaliação foi feita por executivos que participaram de um painel sobre a importância do Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) em mais uma edição do Diálogos Capitais - Setor Portuário: Oportunidades e Desafios, promovido por CartaCapital nesta quarta-feira 24.

Para Luiz Fayet, consultor de infraestrutura e logística da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), as exportações do agronegócio devem ser vistas como uma alavanca para a recuperação da economia brasileira e o desenvolvimento interno. “A história do Brasil mostra que, há 50 anos, nós éramos importadores de alimentos. Até 2020, se não nos atrapalharem muito, nós seremos os maiores exportadores mundiais do agronegócio”, afirmou.

Olavo Machado, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) e do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), concorda. Ele lembrou que, nos portos do Brasil, o tempo de espera para atracar um navio é muito maior que em grandes portos do mundo. “Os problemas de logística afetam a indústria e representam um entrave a um maior dinamismo do comércio externo, em especial as exportações”, disse.

O Brasil tem hoje 37 portos públicos e 176 terminais de uso privado com capacidade de oferta de 1,43 bilhão de toneladas ao ano de operação. Entre 2003 e 2014, a demanda portuária cresceu 70% no Brasil, e a expectativa é crescer mais 103% nos próximos 25 anos.

Para Fernando Fonseca, diretor-geral substituto da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o déficit portuário demanda investimentos da iniciativa privada. “Estudos já demonstraram a necessidade de prover toda essa estrutura portuária para dar vazão e escoamento à produção”, disse. “Uma parceria com o setor privado é essencial”, continuou.

De acordo com Vilson João Schuber, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, a ociosidade e a inoperância dos portos causou prejuízos à região Norte do Brasil durante décadas. “A Amazônia necessita ser reconhecida como integrante do processo produtivo brasileiro. A Amazônia não é santuário, lá vivem cerca de 25 milhões de almas que precisam produzir, ser educados e ter uma condição de vida no mínimo satisfatória”, afirmou.