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Diálogos Capitais

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No Ceará, portos impulsionam desenvolvimento estratégico

por Alice Marcondes — publicado 28/01/2014 16h08
Debate entre autoridades do setor ressalta desafios enfrentados pelos portos do Pecém e Fortaleza
João Batista Fotografias
Debate do evento Diálogos Capitais

Roberto Smith, Paulo André Holanda, Luiz Hernani de Carvalho Junior e Dal Marcondes participam de debate sobre estrutura portuária

De Fortaleza

"Demorou para que Brasília reconhecesse a importância de Pecém e isso trouxe entraves para a construção do porto". A declaração de Roberto Smith, presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), ilustra um comportamento de distanciamento por parte do governo brasileiro, que, segundo ele, relutou em enxergar a construção do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) como algo estratégico para o desenvolvimento da região Nordeste e do País. Smith participou na manhã desta terça-feira 28 do debate Portos – Polos de Desenvolvimento do Nordeste, no evento Diálogos Capitais, promovido pela revista CartaCapital.

A insistência do governo do estado do Ceará na construção do complexo é atualmente recompensada com o reconhecimento de Pecém não só no Brasil, mas também por países europeus, como um porto com grande potencial. "Acredito que, em um futuro próximo, a história do Ceará será dividida em antes e após Pecém", destacou o presidente da Adece.

Somente em 2013 o porto movimentou 6,3 milhões de toneladas de cargas, o que representa um crescimento de 40% em relação ao ano anterior. Contudo, Smith lembra, Pecém ainda está em fase de montagem. "É preciso ampliar a estrutura interna e os acessos, mas os investimentos estão ocorrendo. O Ceará foi e é um mar de desafios e o Cipp é um deles."

Os desafios enfrentados por Pecém também foram lembrados na fala de Luiz Hernani de Carvalho Junior, diretor de Implantação e Expansão da Cearáportos, empresa responsável pela gestão do Cipp. "O porto foi projetado para transporte de granéis, para suprir a demanda de empresas que acabaram por não se instalar na região em um primeiro momento. Assim, foi necessário adaptar a estrutura para o transporte de contêineres", contou.

O crescimento exponencial do porto é, segundo ele, a prova de que havia no estado do Ceará uma demanda reprimida e de que há ainda muito espaço para o crescimento do Cipp. "Vamos iniciar a segunda fase da expansão. Somos um porto muito competitivo. Como nossos terminais são offshore, não temos investimentos de dragagem, o que reduz o nosso custo", enfatizou.

Já no porto de Fortaleza, para Paulo André Holanda, presidente da Companhia de Docas do Ceará (CDC), os desafios enfrentados têm origem principalmente no fato de o equipamento ser um porto urbano. "Estamos inseridos na capital do estado e, por isso, precisamos estar em diálogo constante com os governos nas esferas estadual e municipal para resolver os transtornos que isso traz", comentou.

Holanda lembra que quando assumiu a gestão da CDC algumas pessoas acreditavam que o porto poderia, em breve, encerrar suas atividades. "De lá para cá a movimentação cresceu cerca de 50%, e ajudamos a impulsionar a economia do estado. As atividades de Pecém e do porto de Fortaleza são complementares, e ambos têm sua contribuição para o crescimento da região", ressaltou.

Diálogos Capitais. Fortaleza recebe a primeira edição de 2014 da série Diálogos Capitais, promovido pela revista CartaCapital em parceria com o Instituto Envolverde, para aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento brasileiro. Portos - Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento do Nordeste é o tema deste debate que reúne autoridades da região e especialistas do setor.