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Diálogos Capitais

Diálogos Capitais - Setor Portuário: Desafios e Oportunidades

Nova rota de escoamento pode ser alavanca para recuperação do país

por Felipe Melo — publicado 04/03/2016 17h47
Luiz Fayet, consultor de infraestrutura e logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, falou sobre os investimentos do Arco Norte
Felipe Melo
Dialogos Capitais

Só o Mato Grosso perde 5 bilhões de dólares por ano por falta de infraestrutura e logística para escoar a produção

“Algumas pessoas me perguntam sobre a crise atual, se teremos mercado para esses investimentos em portos. Comida é um mercado constante. Com comida não se brinca. Para mim é claro que o mundo vai depender do Brasil como suprimento. E isso é fundamental para o mundo e também para nós. Temos que ficar atentos, pois avalio que essa oportunidade pode ser a principal alavanca para a recuperação da economia brasileira, para o aumento e distribuição de renda para a nossa população e para colocar o país numa outra condição no mercado internacional”, concluiu Luiz Fayet, consultor de infraestrutura e logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A fala aconteceu no painel “A importância dos portos do Pará para a economia do Brasil”, espaço de debate realizado no evento Diálogos Capitais - Setor Portuário: Desafios e Oportunidades, promovido por CartaCapital em parceria com a Secretaria dos Portos da Presidência da República na manhã da quinta-feira 3, em Belém (PA). 

O consultor explicou que o setor portuário tem uma defasagem média de 64 milhões de toneladas por ano, e que, no ritmo anterior em que se estava trabalhando na construção de logística de escoamento, o país demoraria de “18 a 20 anos para equilibrar a oferta e demanda”.

Ao mostrar estudo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) de 2014, Fayet explicou que somente este Estado perde cerca de U$ 5 bilhões por ano por falta de infraestrutura e logística para escoar a produção de um modo mais barato, para o qual o corredor do Arco Norte será a solução.

“Essa nova rota de comércio não é importante só para o Pará, mas para o Brasil, porque a medida que baratearmos os custos logísticos, iremos aumentar nossa capacidade concorrencial no mercado internacional. Isso significa que as exportações brasileiras vão se ampliar. Eu faço a conta para soja e milho para exemplificar, mas o setor privado está de olho em uma infinidade de oportunidades que o governo não precisa botar a mão, é só não atrapalhar”, orientou. 

Também participante do debate, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José Maria Mendonça, reiterou a importância dos portos do Estado do Pará para o avanço da economia brasileira e o comprometimento do setor produtivo local para o avanço do projeto. 

“As regiões Sul e Sudeste podem fazer projetos para modernizar a logística de escoamento da produção. Mas a saída é o Arco Norte, porque a posição do porto de Espadarte (localizado no município paraense de Curuça) é privilegiada, é o que fica mais próximo do Atlântico Norte. Eu tenho absoluta convicção que a redenção do Brasil passa pelo Estado do Pará, pelo Arco Norte. Trabalhando com o Canal do Panamá, ficaremos mais próximos do mercado asiático, e para nós que vamos exportar comida, lá é o nosso mercado, onde tem muita gente para comer. Nós, da Federação das Indústrias do Pará, participando desse programa, queremos dizer que os portos do Norte são importantíssimos para nós. Queremos participar do crescimento do Brasil”, afirmou. 

O Arco Norte como rota de escoamento da produção de grãos das regiões Centro-Oeste e Norte, mas também de minério e outros produtos, foi objeto de explicação do ministro da Secretaria de Portos, Helder Barbalho (PMDB-PA) na manhã da quinta-feira (3). No Pará, seis áreas portuárias serão levados a leilão no próximo 31 de março na BMF&FBovespa.