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Fórum Brasil

Inovação - os novos eixos do crescimento

por Envolverde — publicado 19/03/2014 09h31, última modificação 20/03/2014 13h58
O debate reuniu o presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o ex-ministro Roberto Amaral, e Laércio Consentino, presidente da TOTVS
André Luy
Inovação

O debate sobre inovação, mediado pelo jornalista Sergio Lirio, redator-chefe de CartaCapital, reuniu Antônio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefonica, Carlos Arruda, diretor Adjunto das Parcerias Empresariais e Coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, Roberto Amaral, cientista político e ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Laércio Cosentino, presidente da TOTVS, e Rômulo Dias, presidente da Cielo

Em sua exposição durante o painel "Os Novos Eixos do Crescimento", o presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, apresentou números para demonstrar que os esforços para a inovação são fundamentais para a estratégia da maior operadora de telecomunicações do Brasil. A apresentação aconteceu no primeiro dia do "Fórum Brasil - Diálogos para o Futuro", promovido por CartaCapital.

As operações da Vivo-Telefônica se caracterizam como exemplo de uma política empresarial inovadora, para onde convergem 24,3 bilhões de reais investidos entre 2011 e 2014. Boa parte desse dinheiro é aplicada no desenvolvimento da tecnologia de fibras óticas necessária para fazer frente ao avanço do tráfico de comunicação. Em torno de 400 milhões de reais também são investidos em data centers (integrados à TI), que devem suprir a demanda dimensionada para os próximos 10 anos – a Vivo possui hoje um crescimento de 39,8% no volume de clientes pós-pagos.

Para Valente, a tecnologia da fibra ótica é um desafio permanente, visto o volume de dados móveis, que cresce a cada dia. As redes de terceira geração (3G) são um foco atual da empresa por conta desse potencial de crescimento no número de celulares e outros aparelhos que usam internet móvel - notebooks e tablets. As redes de quarta geração (4G) são mais recentes e, por isso, terão mais atenção nos desenvolvimentos tecnológicos futuros.

O executivo disse acreditar que a inovação cria um novo patamar para a empresa. "Estamos passando de uma rede que conecta pessoas para outra de conexão de máquinas, e isso significa integrar dezenas de milhões de acessos."

A Vivo Educação, lembrou Valente, propõe alternativas para a formação digital de pessoas de todas as idades - a nuvem de livros é oferecida a municípios distantes para que populações locais possam usufruir de livros e cursos de línguas. O programa envolve ainda o “quiosque digital”, uma ferramenta que reúne um vasto número de publicações, uma agências de notícias e jornais/revistas de outros países – em um único aplicativo. A ideia dessas tecnologias é aumentar a rapidez no aprendizado pela educação digital.

A gestão em rede é hoje um dos objetivos de alta inovação – o sistema envolve, por exemplo, o controle de medição de eletricidade em uma residência. Com ele, é possível controlar os gastos de energia doméstica por períodos de uso, diferenciando os gastos por faixas de utilização. Outra demanda em constante evolução é a gestão digital na saúde. A tecnologia auxilia o acesso à informação individual e permite que o controle online sirva ao dia a dia das pessoas, caso do agendamento e obtenção de resultados de exames, que podem ser controlados tanto pelos pacientes como por centros de diagnósticos, minimizando vazios nos horários pré-agendados, evitando desperdícios de custos operacionais.

Ele citou ainda o Big Data – tecnologia + estatística –, ferramente para a integração de informações georeferenciais para serviços públicos. O Poupatempo, serviço do governo paulista que agiliza a emissão, renovação e segunda via de diversos documentos, é um dos clientes potenciais. O banco de dados revela de onde procedem a maior parte dos usuários e direciona a implantação de uma unidade no local de demanda. Para Valente, esse tipo de informação é fundamental para a orientação de políticas públicas e comerciais no Brasil.

Na área de ação social, a Telefonica conta com o projeto o Ecossistema, que atualmente conecta 100 escolas rurais e abrange 89 municípios brasileiros. A iniciativa beneficia 11 mil alunos e o objetivo é superar a simples conectividade entre estudantes, proporcionando avanço na qualidade da educação.

Panorama - Na mesa de debatedores, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, apresentou o resultado de uma pesquisa sobre o cenário da tecnologia e inovação no meio industrial brasileiro. "Há dois anos, estávamos preocupados com a competitividade internacional e foi isso o que nos motivou a estudar como a inovação seria uma maneira de ultrapassar outros países do mundo. ” Segundo ele, o estudo mostrou que a inovação é o motor de desenvolvimento de uma nação a longo prazo.

“Passamos, assim, a olhar as empresas que trabalhavam no sentido da inovação como estratégia, e verificamos que um dos fatores é a cultura do experimentar, ou do 'erro e acerto', que faz parte do processo”, explica o diretor-adjunto das Parcerias Empresariais da Dom Cabral.

São também os desafios e oportunidades individuais proporcionadas dentro dessas empresas que irão impulsionar a inovação no ambiente corporativo, disse ele. Esta cultura, no entanto, é pouco difundida pelas lideranças empresariais. "Hoje há cerca de 1% a 5% do total dos recursos industriais brasileiros destinados à inovação, e o setor privado nacional responde por apenas 40% deste bolo”, disse Arruda. O valor, considerado baixo, é reduzido em contextos de crises econômicas.

Para o pesquisador da Fundação Dom Cabral, o modelo de pequenas empresas que alavancam – startups – é importante para a disseminação tecnológica.

Ex-ministro da Ciência e Tecnologia, o cientista político Roberto Amaral disse acompanhar com atenção a revolução tecnológica que ocorre no mundo –  o Brasil perdeu muito de seu potencial inovador desde o anos 1970, segundo ele. “Em épocas passadas, os coreanos vinham buscar tecnologias aqui; hoje importamos, e as indústrias asiáticas estão vindo se instalar diretamente no nosso setor automotivo.”

Na década de 1990, eram as estatais que ocupavam o papel de inovar. "O Estado tinha esta função de trazer coisas novas. Símbolos de empresas tecnológicas que podemos citar são Petrobras (petróleo e derivados) e Embrapa (pesquisa agropecuária); no setor aeronáutico, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)", lembrou Amaral. “O empresário nacional prefere pagar royalties a investir em pesquisas, e nas escolas, estamos na 'Idade da Pedra'. Precisamos de mais engenheiros e matemáticos aqui." O grande avanço do Brasil em ciência e tecnologia vem hoje da universidade pública. As escolas privadas, lembrou, não bancam laboratórios próprios de pesquisa. "Ou seja, o Estado está sozinho nessa empreitada, um desafio enorme para o desenvolvimento de um país."

Laércio Consentino, presidente da TOTVS Tecnologia, lembrou, em sua exposição, que a propriedade intelectual é também uma das ferramentas da inovação. Segundo ele, a tecnologia na ponta dos dedos tornou possível estudar sem sair de casa. O problema, disse, são a falta de pessoas “inovativas” e o excesso de burocracia na formação de empresas. Para Valente, da Telefônica, a troca de conhecimento com outros países é um dos aspectos que fomenta a transferência de tecnologia. “A abertura encurta distâncias e acelera iniciativas existentes."

 

Isabel Gnaccarini, da Envolverde, especial para CartaCapital