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Diálogos Capitais - Cidadania

Economia Criativa é o centro do debate promovido por CartaCapital

por Lucas Costanzi — publicado 26/11/2014 15h17
Para o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, é de igual importância a participação do poder público, da sociedade civil e dos profissionais criativos para a execução desses projetos
Jefferson Bernardes/Agência Preview
Diálogos Capitais em Porto Alegre

O Prefeito de Porto Alegre, José Fortunati

Longe de ser uma novidade, a Economia Criativa é uma tendência emergente que ganha cada vez mais espaço na reflexão em universidades e entre administradores públicos, gestores e empreendedores de diversos setores em busca de soluções. É justamente por desafiar gestores públicos e empresas a pensar em desenvolvimento, mas por vias alternativas, que o tema foi o centro do evento Diálogos Capitais – Metrópoles Brasileiras, promovido por CartaCapital em Porto Alegre.

Presente no encontro, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, disse que a capital gaúcha aplica esta ideia em pelo menos três áreas: economia, turismo e cultura. “Queremos promover a geração de emprego e renda, buscar novos mercados e contemplar a diversidade cultural, a inclusão social e o desenvolvimento humano, cada vez mais deixado de lado em uma sociedade que impõe uma economia de mercado bastante complicada.”

O prefeito lembrou a inauguração do Distrito C no final do ano passado. Criado na antiga área industrial da capital gaúcha, o projeto foi idealizado como uma ação de inovação social. O espaço funciona como um coworking, onde 67 artistas e empresários trabalham em diversas áreas do conhecimento. Segundo Fortunati, é de igual importância a participação do poder público, da sociedade civil e dos profissionais criativos para a execução desse tipo projeto.

Um problema constatado pela administração foi que, atualmente, Porto Alegre é a terceira cidade do Brasil em turismo de eventos e negócios, mas sem preocupações no desenvolvimento do turismo de lazer.  Foi a partir desta análise que, em meados de 2013, o programa Turismo Criativo começou a ser pensado. A Secretaria Municipal de Turismo elaborou uma rede de oficinas livres ligadas a artes cênicas, artesanato, música,  dança, gastronomia, entre outras atividades.

Houve preocupação em desenvolver o projeto de forma a atingir a comunidade e, assim, destacou Fortunati, era necessário pensar em tecnologia e informação que tornassem o acesso fácil e rápido a este conceito inovador. O portal Porto Alegre Criativa foi criado como canal de contato direto entre o público e a oferta. A população, além de poder realizar as oficinas disponíveis no site, ainda pode propor outras a serem criadas. “O grande desafio é que nos possamos estabelecer uma relação diferenciada com o Turismo Criativo, tornando Porto Alegre uma grande referencia nesta área”.

Dentro da mesma perspectiva criativa, o jornalista Dal Marcondes criticou o modelo econômico vigente do ponto de vista da sustentabilidade e do meio ambiente. O comunicador apontou que, atualmente, a base da matriz energética mundial se dá por meio de três combustíveis: o carvão, o óleo e a gasolina, e o consumo desses combustíveis fósseis “tem impactos terríveis do ponto de vista das mudanças climáticas”, afirmou.

Para Marcondes, esta é uma questão urgente e é necessário encontrar soluções de substituição definitiva para esses combustíveis: “O consumo por unidade está caindo; um carro que circulava há 30 anos consome menos combustível que um carro que circula hoje. Mas isto não é a solução definitiva. Precisamos mudar a nossa matriz e isso exige inovação”, reiterou.

Um universo em que apenas 3 bilhões dos 7 bilhões de habitantes do planeta têm acesso ao conforto e às comodidades que o modelo econômico vigente pode proporcionar funciona como prova de que o atual modelo de gestão socioeconômico é benéfico para menos da metade da população mundial, corroborando a tese do comunicador.

Marcondes ainda alegou que os impactos socioambientais, muitas vezes negligenciados pelas empresas responsáveis, devem ser trazidos para dentro das organizações e não mais serem tratadas como externalidades. “Um dos principais motivos pelos quais nós precisamos de inovação e de uma economia mais criativa e mais capaz de resolver os problemas que a economia tradicional não vem resolvendo é termos externalidades muito mais graves acontecendo”, afirmou.

Na hora de pensar em soluções e melhorias para as metrópoles brasileiras, a tecnologia e a comunicação não devem ficar de fora. Foi o que mostrou o diretor regional da IBM no Rio Grande do Sul, Luiz Toledo.

A IBM vem desenvolvendo o software Watson, um computador capaz de compreender e responder à linguagem humana com todas as semânticas e figuras de linguagem, e ainda aprender com seu operador. Segundo Toledo, Watson poderia ajudar a resolver, por meio de suas bases de dados, problemas urbanos se utilizado pela gestão pública. “Ele pode ajudar, por exemplo, a desenvolver um plano de aposentadoria adequado ao seu usuário”, explica.

Como os softwares, as redes sociais podem ser de extrema valia dentro do maquinário da gestão, e a importância da interação entre redes sociais, gestores públicos e a sociedade civil é vital. A diretora da Cello Comunicação, Andrea de Lima, destacou que, qualquer interação que feita por meio das redes deveria ser e muitas vezes é monitorada especialmente por empresas que saíram a frente no sentido de análise de comportamento: “Isto ajudaria a compor um quadro específico das necessidades individuais e coletivas de um determinado seguimento social”.

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