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Diálogos Capitais

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"Em alguns portos brasileiros é como se ainda estivéssemos no tempo da vela"

por Redação — publicado 28/01/2014 12h20, última modificação 28/01/2014 16h43
Diretor da CNI critica a falta de infraestrutura e lista projetos prioritários para a região Nordeste
João Batista Fotografias
José Augusto Coelho Fernandes

O Diretor de Políticas Estratégicas da Confederação Nacional de Indústrias, José Augusto Coelho Fernandes

"Em alguns portos brasileiros é como se anida estivéssemos no tempo da vela: eu não consigo garantir tempo, eu não consigo garantir horário. E isso é traduzido para o custo da mercadoria e reduz sua competitividade". A afirmação é do diretor de Políticas Estratégicas da Confederação Nacional de Indústrias (CNI), José Augusto Coelho Fernandes, segundo quem o problema é a fragmentação da malha de transportes. "Você constrói o porto e não tem a rodovia, falta essa visão integrada", afirmou ele no seminário Portos - Infraestrutura e Logística para o desenvolvimento do Nordeste, realizado em Fortaleza e promovido pela revista CartaCapital em parceria com o Instituto Envolverde.

Para seguir em outra direção e propor uma visão ampla do gargalo no transporte brasileiro, a CNI elaborou um estudo que identifica os principais pontos estratégicos para a melhora na infraestrutura do Nordeste. No primeiro esforço de identificação foram selecionados 50 eixos para a integração dos Estados, cerca de 196 obras que demandariam 70 bilhões de reais em investimentos. Entretanto, aponta o Fernandes, o maior esforço para o Brasil tem de ser identificar as suas prioridades, o que levou a CNI a expor um segundo quadro: 9 eixos, 83 obras e cerca de 26 bilhões de reais a serem investidos até 2020.

Dentre os eixos estão desenvolver a cabotagem, dado o enorme potencial da região e a baixa eficiência do País na área, a rodovia Barreiras-Fortaleza, a integração hidroferroviária entre Barreiras e Suape, a nova transnordestina ligando Balsas ao porto de Pecém, a ferrovia Barreiras-Ilhéus, o trecho da ferrovia Juazeiro do Norte-Suape e Balsas-Vila do Conde.

"Esse é um trabalho voltado para a região, não para o Estado A ou para o Estado B", aponta o diretor da CNI. O trabalho foi realizado avaliando o potencial econômico da região e com base em entrevistas com as principais empresas e secretarias de Desenvolvimento e Indústria do Nordeste. As cadeias produtivas também foram detalhadas de maneira a identificar os fluxos regionais, onde os problemas mais latentes se evidenciam. "O melhor projeto para a Bahia pode não estar na Bahia, pode estar no Ceará. O impacto do porto de Pecém para a Bahia é tão importante quanto a melhoria do porto de Salvador, por exemplo", afirma.

O estudo estima que esses projetos levariam a uma redução de 10% nos custos de logística em cima das mercadorias. "Nossa impressão é que ainda temos um modelo obsoleto para o estado da economia que estamos vivendo. Ao valorizarmos a importância do controle da inflação, valorizamos a ideia de um banco central com autonomia. É possível que a área de infraestrutura mereça atenção parecida, ou seja, de mais autonomia e profissionalização."

Um grande passo, segundo ele, foi a aprovação da Lei dos Portos, que diminuiu a insegurança dos investidores internacionais por acabar com as incertezas jurídicas. Ainda assim, ele aponta que é necessário acabar com a burocracia no sistema operacional, uma preocupação mundial do setor. "Na reunião da OMC em Bali, esse foi o grande tema que surgiu: a importância de termos janelas únicas, avaliação de riscos adequada para que não seja um tormento no trabalho de liberação ou exportação de uma mercadoria."

Diálogos Capitais. Fortaleza recebe a primeira edição de 2014 da série Diálogos Capitais, promovido pela revista CartaCapital em parceria com o Instituto Envolverde, para aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento brasileiro. "Portos - Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento do Nordeste" é o tema deste debate que reúne autoridades da região e especialistas do setor.

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